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Apenas 10 minutos de atividade física por dia podem evitar mais de 420 mil casos de demência no Brasil até 2050

Um estudo da UFRGS revela que aumentar em apenas 10 minutos diários a prática de atividade física entre adultos inativos pode evitar mais de 420 mil casos de demência no Brasil até 2050, além de gerar economia bilionária para o SUS.

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Um pequeno ajuste na rotina diária pode gerar um impacto gigantesco na saúde pública brasileira. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) aponta que o aumento de apenas 10 minutos diários de atividade física moderada ou vigorosa entre adultos brasileiros atualmente inativos pode evitar mais de 420 mil casos de demência até o ano de 2050.

Além do impacto direto na saúde da população, a pesquisa também revela um potencial expressivo de economia para o sistema de saúde, especialmente para o Sistema Único de Saúde (SUS).

O crescimento alarmante da demência no Brasil

De acordo com os dados do estudo, o número de pessoas com demência no Brasil deve mais do que triplicar nos próximos 25 anos, saltando para cerca de 5,7 milhões de casos em 2050.

Esse cenário representa um desafio não apenas clínico, mas também econômico. A estimativa é que os custos diretos e indiretos da demência cheguem a R$ 220 bilhões, dos quais aproximadamente R$ 192 bilhões recaem sobre o SUS, considerando despesas médicas, hospitalares, medicamentos, cuidados prolongados e perda de produtividade.

Atividade física como estratégia de prevenção

O estudo, intitulado Um pequeno passo, uma grande economia: o impacto da atividade física nos casos de demência e nos custos econômicos no Brasil”, foi desenvolvido por pesquisadores dos programas de Pós-graduação em Epidemiologia e Ciências Médicas da UFRGS.

Segundo Natan Feter, primeiro autor da pesquisa e pesquisador colaborador do Programa de Pós-graduação em Epidemiologia, os achados reforçam o papel central da atividade física na prevenção da demência, mesmo em volumes muito reduzidos.

Principais conclusões do estudo:

  • Cerca de 500 mil casos de demência podem ser prevenidos entre 2019 e 2050 apenas com o aumento da atividade física
  • A inatividade física será responsável por um custo estimado de R$ 23 bilhões em demência entre 2019 e 2025
  • Se adultos completamente inativos passarem a realizar 10 minutos diários de atividade física, a economia acumulada até 2050 pode chegar a R$ 16 bilhões

Por que 10 minutos fazem tanta diferença?

Mesmo períodos curtos de atividade física promovem efeitos fisiológicos importantes, como:

  • Melhora da circulação cerebral
  • Redução da inflamação sistêmica
  • Estímulo à neuroplasticidade
  • Melhora da função cognitiva e da memória
  • Redução de fatores de risco associados à demência, como hipertensão, diabetes e obesidade

Esses benefícios ajudam a preservar a saúde do cérebro ao longo do envelhecimento, retardando ou prevenindo o surgimento de quadros neurodegenerativos.

Impactos que vão além do cérebro

Os pesquisadores destacam que a atividade física não traz benefícios apenas cognitivos. Ela impacta positivamente:

  • 🧠 Saúde mental
  • 🦴 Saúde musculoesquelética
  • ❤️ Sistema cardiovascular
  • 🧍 Autonomia funcional
  • 🤝 Interação social e qualidade de vida

Esses fatores são especialmente relevantes em uma população que envelhece rapidamente, como a brasileira.

Um chamado para políticas públicas de promoção da atividade física

Para Natan Feter, os resultados do estudo reforçam a urgência de políticas públicas voltadas à promoção da atividade física, especialmente para populações mais vulneráveis e sedentárias.

Investir em ambientes urbanos ativos, programas comunitários, orientação profissional e estímulo ao movimento ao longo da vida pode reduzir de forma significativa a carga social, econômica e humana da demência no Brasil.

Pequenas mudanças, grandes impactos

O estudo deixa uma mensagem clara: não é preciso começar com grandes volumes de exercício para colher benefícios reais. Pequenos passos, quando adotados de forma consistente, podem gerar transformações profundas na saúde individual e coletiva.

Promover o movimento é promover autonomia, dignidade e envelhecimento saudável — hoje e no futuro.

Consulte seu médico!

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