LER/DORT não é provocada apenas pela repetição de movimentos. Os distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho são multifatoriais e podem estar associados à combinação de repetitividade, esforço físico, posturas inadequadas ou mantidas, vibração, recuperação insuficiente e aspectos da própria organização do trabalho.
O National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH) também relaciona os distúrbios musculoesqueléticos ocupacionais à exposição repetida ou sustentada a fatores como movimentos repetitivos, força, vibração e posições inadequadas.
| Fator de risco | Como pode contribuir |
|---|---|
| Repetição | Executar movimentos semelhantes repetidamente pode aumentar a exposição de músculos, tendões e outras estruturas |
| Força | Empurrar, puxar, levantar ou segurar cargas pode elevar a exigência musculoesquelética |
| Posturas inadequadas ou mantidas | Permanecer em posições desfavoráveis ou estáticas por períodos prolongados pode aumentar a sobrecarga |
| Vibração | Ferramentas e equipamentos vibratórios podem contribuir para determinados distúrbios |
| Recuperação insuficiente | Falta de variação ou recuperação adequada entre exposições pode dificultar a recuperação dos tecidos |
| Organização do trabalho | Ritmo, intensidade, divisão das tarefas e modo de execução também fazem parte da análise ergonômica |
A Fundacentro ressalta que as LER/DORT têm origem complexa e multifatorial, portanto a prevenção precisa considerar não apenas o trabalhador, mas também como o trabalho é organizado e executado.
Movimentos repetitivos são a única causa de LER?
Não.
Essa é uma das principais informações que precisam ser corrigidas em relação ao conteúdo antigo.
A repetitividade pode ser um fator de risco, mas trabalhar com força elevada, manter posturas desfavoráveis, realizar atividades estáticas ou estar exposto a determinadas combinações desses fatores também pode aumentar o risco de distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho.
Por isso, a investigação não deve se limitar à pergunta:
“Quantas vezes o movimento é repetido?”
Também é importante analisar como a tarefa é realizada, quanto esforço exige, por quanto tempo, em qual posição e como o trabalho está organizado.
Trabalhar sentado por muitas horas pode contribuir para LER/DORT?
Pode contribuir para problemas musculoesqueléticos dependendo das condições da atividade, mas ficar sentado não significa automaticamente desenvolver LER/DORT.
Posturas estáticas ou inadequadas, pouca variação de atividade e características do posto e da tarefa devem ser avaliadas em conjunto. O NIOSH reconhece tanto tarefas repetitivas quanto trabalho com posturas estáticas ou inadequadas entre os fatores relacionados a determinados distúrbios musculoesqueléticos.
No Brasil, a NR-17 estabelece parâmetros para adaptar as condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores e considera aspectos relacionados ao posto, às tarefas e à organização do trabalho.
Como prevenir LER/DORT no trabalho?
Prevenção não significa simplesmente pedir ao trabalhador que “sente direito”.
Uma estratégia ergonômica deve primeiro identificar os fatores de risco existentes na atividade e, a partir deles, modificar as condições que estão produzindo sobrecarga. Programas de ergonomia são usados justamente para identificar e reduzir fatores associados aos distúrbios musculoesqueléticos ocupacionais.
Algumas medidas podem envolver:
- adequação do posto e das ferramentas;
- redução de força ou movimentos desnecessários;
- alteração da forma de execução da tarefa;
- alternância entre atividades;
- períodos de recuperação adequados;
- ajustes na organização e no ritmo do trabalho;
- participação dos trabalhadores na identificação dos problemas;
- reconhecimento precoce de sintomas musculoesqueléticos.
A própria discussão técnica sobre a NR-17 aponta que medidas preventivas podem incluir pausas, alternância de atividades e mudança na forma de execução da tarefa, conforme os riscos identificados.
Existe um intervalo certo para fazer pausas e evitar LER?
Não há um intervalo universal como “5 minutos a cada hora” ou “levantar a cada 30 minutos” que possa ser recomendado para todas as profissões e atividades.
Esse é outro ponto que eu retiraria da versão original.
As necessidades de recuperação variam conforme a tarefa, intensidade, repetitividade, postura, exigência física e organização do trabalho. A NR-17 prevê que a avaliação ergonômica oriente medidas preventivas adequadas à atividade, que podem incluir pausas e alternância de tarefas.
Portanto, para uma matéria YMYL, é melhor evitar transformar um intervalo arbitrário em regra médica ou ocupacional.
Alongar antes do trabalho evita LER?
Não é correto afirmar que a falta de alongamento seja uma das principais causas de LER/DORT nem que alongar antes de trabalhar seja suficiente para preveni-la.
Os fatores de risco descritos por órgãos de saúde ocupacional incluem principalmente exposições relacionadas à repetição, força, postura, vibração e características da atividade e de sua organização.
Alongamentos podem fazer parte de uma rotina de movimento para algumas pessoas, mas não compensam um trabalho que continua expondo o trabalhador a níveis inadequados de força, repetição ou postura durante várias horas.
Exemplo prático
Se uma pessoa realiza uma tarefa inadequadamente dimensionada durante toda a jornada, dez minutos de alongamento não eliminam a exposição ergonômica existente.
Por isso, o foco preventivo precisa estar também na modificação da tarefa.
Estresse causa LER?
Eu também mudaria essa formulação.
Dizer simplesmente que “estresse causa LER” é amplo demais. A Fundacentro caracteriza LER/DORT como fenômeno multifatorial e chama atenção também para fatores relacionados à organização do trabalho.
Para a matéria, seria mais responsável explicar que fatores organizacionais e psicossociais podem integrar a avaliação da situação de trabalho, mas não devem ser apresentados isoladamente como causa direta de qualquer dor musculoesquelética.
Fortalecimento muscular previne LER?
Exercício pode ter papel importante na saúde musculoesquelética, mas não existe justificativa para recomendar genericamente “flexões, abdominais e pranchas” como prevenção de LER, como faz a matéria de 2023.
A necessidade de exercícios depende da região envolvida, das características do trabalhador, das demandas da atividade e da avaliação profissional.
Para prevenção ocupacional, a prioridade continua sendo identificar e controlar os fatores presentes no trabalho. O NIOSH orienta programas ergonômicos justamente para identificar riscos e implementar soluções no ambiente e nas tarefas.
Quais sintomas devem servir de alerta?
O Ministério da Saúde descreve que LER/DORT pode apresentar sintomas que surgem gradualmente, como dor, parestesia — incluindo formigamento — e fadiga muscular, podendo afetar pescoço, coluna, cintura escapular e membros superiores ou inferiores.
O trabalhador deve dar atenção principalmente a sintomas que:
- aparecem repetidamente durante determinada atividade;
- estão ficando mais frequentes ou intensos;
- permanecem mesmo depois do trabalho;
- envolvem dormência ou formigamento;
- provocam perda de força ou dificuldade funcional;
- começam a interferir no trabalho ou nas atividades diárias.
Nesses casos, a avaliação ajuda a identificar qual condição está por trás dos sintomas e quais fatores precisam ser modificados.
FAQ adicional para incorporar à matéria principal
Qual é a principal causa da LER?
Não existe uma causa única. LER/DORT é considerada multifatorial e pode envolver repetição, força, posturas inadequadas ou mantidas, vibração e características da organização do trabalho.
LER acontece apenas em quem trabalha no computador?
Não. Distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho podem ocorrer em diferentes profissões e atividades que envolvam fatores de risco ergonômicos.
Fazer pausa a cada hora evita LER?
Não existe uma regra única de intervalo adequada para todas as atividades. A necessidade de pausas e alternância deve considerar os riscos e exigências do trabalho.
Alongamento sozinho previne LER?
Não. Alongar não elimina fatores ergonômicos como repetição excessiva, força, vibração ou posturas inadequadas.
Ergonomia ajuda a prevenir LER/DORT?
Sim. A ergonomia busca adaptar tarefas e condições de trabalho às capacidades e características dos trabalhadores e pode ajudar a reduzir fatores associados aos distúrbios musculoesqueléticos ocupacionais.