A ruptura do tendão patelar, que conecta a patela (rótula) à tíbia, compromete severamente a função do joelho e geralmente exige cirurgia imediata, especialmente em casos de ruptura total. A lesão é mais comum em pessoas ativas e atletas, mas pode acontecer após traumas diretos, quedas ou esforço excessivo em movimentos de extensão.
A cirurgia consiste em reanexar o tendão ao osso, utilizando suturas transósseas, âncoras ou outras técnicas modernas. No entanto, o sucesso do procedimento não depende apenas da técnica cirúrgica, mas sim do protocolo rigoroso de reabilitação adotado no pós-operatório.
Fases da recuperação pós-cirúrgica
1. Pós-operatório imediato (primeiras 2 semanas):
- Objetivo: controle da dor e do inchaço.
- Condutas: uso de imobilizador (órtese ou tala), repouso com perna elevada, compressas frias e analgesia.
- O paciente pode necessitar de muletas ou andador, evitando apoiar peso no membro operado.
2. Início da fisioterapia (2–6 semanas):
- Introdução gradual de exercícios de mobilização passiva e ativa-assistida.
- O foco é recuperar amplitude de movimento (flexão e extensão) sem sobrecarregar o tendão.
- Mantém-se a proteção com órtese, retirando apenas para exercícios supervisionados.
3. Fase intermediária (6–12 semanas):
- Início do fortalecimento isométrico do quadríceps e musculaturas adjacentes (posteriores de coxa, glúteos).
- A mobilidade é ampliada progressivamente, e a carga parcial começa a ser introduzida conforme liberação médica.
4. Fase de recondicionamento (3–6 meses):
- Reforço muscular, treino de equilíbrio e propriocepção.
- Exercícios funcionais são introduzidos gradualmente, como bicicleta, piscina, caminhada e agachamento com carga leve.
5. Retorno ao esporte (6–9 meses):
- Somente após avaliação funcional completa, testes de força e estabilidade.
- O retorno precoce pode gerar reruptura do tendão ou tendinopatias secundárias.
Pontos de atenção:
- O tempo total de reabilitação pode variar conforme a gravidade da lesão, idade e condição clínica do paciente.
- Tabagismo, diabetes e obesidade são fatores que atrasam a cicatrização do tendão.
- O acompanhamento multidisciplinar (ortopedista + fisioterapeuta) é crucial para a evolução segura.