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Derivados de gordura na ortopedia: uma nova fronteira na medicina regenerativa

Tecido adiposo revoluciona tratamentos articulares, abrindo caminho para o futuro da medicina regenerativa na ortopedia.

Quando pensamos em gordura corporal, geralmente a associamos a questões estéticas ou metabólicas. No entanto, o tecido adiposo é hoje reconhecido como uma das fontes mais ricas e acessíveis de células regenerativas do corpo humano, abrindo uma nova e promissora fronteira na medicina regenerativa e na ortopedia: a terapia com derivados de gordura.

Por que a gordura é tão especial?

O tecido adiposo não é apenas uma reserva de energia. Ele é um órgão endócrino complexo e um reservatório de uma população celular poderosa, conhecida como fração vascular do estroma (FVE). Dentro da FVE, encontramos uma alta concentração de:

  • Células-tronco mesenquimais (CTMs): Células adultas com a capacidade de modular o ambiente inflamatório e sinalizar para a reparação de tecidos.
  • Pericitos: Células que envolvem os vasos sanguíneos e que são consideradas uma fonte primária de CTMs.
  • Outras células regenerativas: Incluindo células endoteliais (que formam vasos sanguíneos) e células imunomoduladoras.

Comparada à medula óssea, a gordura contém uma concentração de CTMs centenas de vezes maior por volume, tornando-a uma fonte extremamente atraente para terapias regenerativas.

Como funciona o tratamento?

O procedimento, muitas vezes conhecido por nomes comerciais como Lipogems®, envolve três etapas principais, geralmente realizadas no mesmo dia, em ambiente de centro cirúrgico ambulatorial:

  1. Coleta (Lipoaspiração): Uma pequena quantidade de gordura (geralmente de 50 a 100 ml) é coletada do abdômen ou flancos do próprio paciente, através de uma minilipoaspiração. O procedimento é rápido e realizado com anestesia local.
  2. Processamento: A gordura coletada é então processada através de um sistema fechado e estéril. O objetivo é lavar, filtrar e microfragmentar o tecido adiposo. Esse processo remove componentes indesejados (como sangue e resíduos oleosos) e reduz o tamanho dos clusters de gordura, mas, crucialmente, preserva a arquitetura natural do tecido. As células regenerativas (CTMs e pericitos) permanecem em seu nicho natural, envoltas pela matriz de colágeno e vasos sanguíneos.
  3. Aplicação: O tecido de gordura processado, agora um concentrado de células regenerativas, é injetado na articulação ou no tecido lesionado (por exemplo, no joelho, quadril ou ombro), geralmente guiado por ultrassom para garantir a precisão.

O duplo mecanismo de ação

A terapia com derivados de gordura tem uma vantagem única: um duplo mecanismo de ação.

  • Ação biológica: As CTMs e outras células liberam potentes fatores anti-inflamatórios e de crescimento. Elas não necessariamente se transformam em cartilagem, mas atuam como “maestros” da cura, sinalizando para as células locais reduzirem a inflamação e iniciarem o reparo. Elas criam um ambiente mais saudável dentro da articulação.
  • Ação mecânica: O próprio tecido de gordura microfragmentado fornece um suporte estrutural e amortecimento para a articulação. Ele preenche defeitos na cartilagem e atua como uma “almofada” biológica, o que pode proporcionar alívio da dor por um mecanismo mecânico, além do biológico.

Principais indicações

A principal e mais estudada indicação para a terapia com derivados de gordura é a osteoartrite (artrose) de grandes articulações, especialmente:

  • Joelho
  • Quadril
  • Ombro
  • Tornozelo

É ideal para pacientes com artrose de grau moderado a grave que não respondem a tratamentos conservadores e desejam uma alternativa à cirurgia de prótese, ou para aqueles que ainda não têm indicação ou não querem se submeter a uma cirurgia de grande porte.

Vantagens da terapia com gordura

  • Alta concentração de células regenerativas.
  • Procedimento minimamente invasivo e autólogo (usa o tecido do próprio paciente).
  • Baixo risco de rejeição ou transmissão de doenças.
  • Duplo mecanismo de ação (biológico e mecânico).
  • Pode ser uma opção para adiar ou evitar uma cirurgia de prótese.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. O procedimento é doloroso?
A coleta da gordura é feita com anestesia local e é geralmente bem tolerada. Pode haver dor e hematomas na área da lipoaspiração por alguns dias, similar a uma contusão. A injeção na articulação é semelhante a outras infiltrações.

2. Em quanto tempo verei os resultados?
O alívio da dor pode começar a ser notado nas primeiras semanas, em parte devido ao efeito mecânico de amortecimento. O efeito biológico de regeneração e modulação da inflamação é mais gradual, com a melhora máxima ocorrendo ao longo de 3 a 6 meses.

3. A gordura injetada vai ser absorvida e desaparecer?
O processamento do tecido adiposo é projetado para manter sua integridade estrutural, o que ajuda a garantir sua permanência e longevidade na articulação. Estudos mostram que o enxerto permanece viável por longos períodos.

Mitos e verdades

Mito: É um tratamento para emagrecer.
Verdade: A quantidade de gordura removida é muito pequena e não tem nenhum impacto estético ou no peso corporal. O objetivo é unicamente terapêutico.

Mito: Qualquer médico pode realizar este procedimento.
Verdade: Este é um procedimento médico complexo que deve ser realizado por um ortopedista especializado em medicina regenerativa, em um ambiente cirúrgico estéril e utilizando sistemas fechados e aprovados pelos órgãos regulatórios (ANVISA).

Mito: A gordura vai se transformar em uma nova cartilagem.
Verdade: O principal benefício não vem da transformação da gordura em cartilagem, mas de sua potente capacidade de reduzir a inflamação, aliviar a dor e fornecer suporte mecânico. Ela melhora a função da cartilagem existente e do ambiente articular como um todo, mas não cria uma cartilagem nova do zero.

Consulte seu médico!

O Portal da Ortopedia recomenda consultar um profissional especializado em caso de dúvidas sobre qualquer informação de nosso site.

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