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Do luto à inovação: o dispositivo que promete curar feridas e evitar amputações

O que nasceu da dor de uma filha diante do sofrimento do pai se transformou em uma inovação científica com potencial de salvar vidas.

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A professora Suelia Rodrigues, da Universidade de Brasília (UnB), decidiu transformar o luto em um gesto de cura coletiva. Do amor e da perda, surgiu o Rapha — um dispositivo portátil que acelera a cicatrização de feridas e pode evitar amputações em pessoas com o chamado pé diabético, uma das complicações mais graves do diabetes.

Da experiência pessoal à pesquisa pública

A história começou em casa, com a dificuldade de ver o pai enfrentar o avanço de uma ferida crônica e a ausência de soluções acessíveis.
Suelia decidiu transformar a dor em pergunta científica: por que ainda é tão difícil curar algo tão comum?
Dessa inquietação nasceu um projeto que uniu engenharia biomédica, saúde coletiva e políticas públicas — uma combinação rara na pesquisa brasileira.

O resultado foi o Rapha, um equipamento que associa curativos de látex natural à terapia por luz LED, estimulando a regeneração celular e a formação de novos vasos sanguíneos.
O método é simples, acessível e pensado para uso em hospitais públicos.

Uma ponte entre ciência e sistema único de saúde

O projeto foi desenvolvido ao longo de quase duas décadas pelo Grupo de Engenharia Biomédica da UnB, em parceria com o pesquisador Adson Ferreira da Rocha.
A inovação recebeu selo de segurança do Inmetro e aguarda a aprovação da Anvisa para ser produzida em larga escala e distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com a tese de doutorado de Mário Fabrício Fleury Rosa, o Rapha é um exemplo de como a interdisciplinaridade entre engenharia e saúde coletiva pode acelerar a transformação de pesquisa em política pública.
Mais que um novo dispositivo, o Rapha representa uma mudança de paradigma: inovação científica pensada desde o início para chegar ao paciente do SUS.

O impacto social da tecnologia

O pé diabético é responsável por milhares de amputações por ano no Brasil.
Estudos do grupo indicam que a combinação de LED e látex natural pode reduzir o tempo de cicatrização, diminuir infecções e evitar cirurgias incapacitantes.
Além de devolver qualidade de vida aos pacientes, a adoção da tecnologia pelo SUS deve representar economia de recursos públicos e redução da sobrecarga hospitalar.

Mais do que uma inovação de laboratório, o Rapha é uma resposta concreta a uma necessidade social: oferecer tratamento digno, acessível e eficaz para uma população que, historicamente, convive com as limitações impostas pela falta de acesso tecnológico.

A ciência que cura e humaniza

O nome “Rapha”, que em hebraico significa “cura”, sintetiza o espírito do projeto.
Ele traduz a crença de que a tecnologia pode ser ferramenta de empatia, não substituta do cuidado humano.
Nascido de um gesto pessoal e sustentado por políticas públicas, o Rapha mostra que a verdadeira inovação não está apenas em criar novas máquinas, mas em redefinir o propósito da ciência: curar com humanidade.

Fonte: UNB

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