Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ) na gestão 2026, o ortopedista Dr. Guilherme Abreu construiu uma trajetória marcada pela dedicação ao ensino, pela experiência internacional e pelo compromisso com a formação médica. Professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ele compartilha nesta entrevista ao Portal da Ortopedia sua história, os projetos da atual gestão e sua visão sobre o futuro da especialidade no Brasil.
Confira a entrevista:
Portal da Ortopedia: Doutor Guilherme, para iniciarmos nosso bate-papo, conte um pouco sobre sua formação e o início da sua trajetória na ortopedia.
Dr. Guilherme Abreu:
A ortopedia entrou muito cedo na minha vida, principalmente por influência familiar, já que meu pai também é ortopedista. Desde a graduação eu já tinha contato com a especialidade, o que despertou meu interesse.
Concluí minha faculdade de Medicina em 2003, em Belo Horizonte, e logo em 2004 iniciei a residência em Ortopedia e Traumatologia no Hospital das Clínicas da UFMG. Foi ali que realmente conheci a especialidade na prática. Tive excelentes professores, que foram fundamentais para minha formação, especialmente o professor Marco Antônio Percope, que foi um grande incentivador da minha carreira.
Após os três anos de residência, optei pela subespecialidade em joelho. Fiz o R4 e o fellow em cirurgia do joelho e, posteriormente, busquei complementar minha formação no exterior, principalmente na América do Norte, em centros como Boston, Pittsburgh e Rochester, em Minnesota. Essas experiências ampliaram muito minha visão profissional.
Portal da Ortopedia: Como o senhor avalia a evolução da ortopedia e o surgimento das subespecialidades no Brasil?
Dr. Guilherme Abreu:
A ortopedia é uma especialidade relativamente jovem. Ela se estruturou de forma mais consistente após a Primeira Guerra Mundial e, ao longo das décadas, passou por um processo natural de segmentação.
Com o aumento do conhecimento científico e das opções terapêuticas, tornou-se necessário organizar a especialidade por áreas, como joelho, ombro, mão, coluna, entre outras. No Brasil, esse modelo foi muito bem adotado.
Hoje temos centros de excelência espalhados por todo o país, com professores altamente qualificados. Isso coloca a ortopedia brasileira em uma posição de destaque no cenário internacional.
Portal da Ortopedia: Além da atuação clínica, o senhor seguiu carreira acadêmica. Qual a importância desse caminho?
Dr. Guilherme Abreu:
A carreira acadêmica sempre foi algo que me motivou muito. Após a residência, permaneci no Hospital das Clínicas e segui na universidade.
Hoje sou professor adjunto de Ortopedia e Traumatologia na UFMG e convivo diariamente com alunos e residentes. Esse contato é extremamente enriquecedor.
Ensinar nos obriga a estudar constantemente, a refletir sobre a prática e a buscar atualização. Eu costumo dizer que ensinar é uma das melhores formas de aprender.
Portal da Ortopedia: Quais são os principais objetivos da sua gestão à frente da SBCJ em 2026?
Dr. Guilherme Abreu:
A principal missão da SBCJ é fomentar a educação médica continuada. Nosso foco é estimular o associado a buscar atualização constante.
Um dos grandes desafios de 2026 é o Congresso Brasileiro de Cirurgia do Joelho, que será realizado em Campinas. É um evento de grande porte, com milhares de participantes, alto nível científico e grande complexidade organizacional.
Além disso, estamos investindo em parcerias estratégicas, na assinatura de periódicos científicos internacionais, no fortalecimento dos eventos regionais e na ampliação do acesso ao conhecimento.
Portal da Ortopedia: Quais projetos merecem destaque nesta gestão?
Dr. Guilherme Abreu:
Um projeto importante é a disponibilização gratuita de revistas científicas internacionais para os associados. Isso facilita muito o acesso à informação de qualidade.
Outro ponto é a regionalização do conhecimento, com eventos em diferentes regiões do Brasil, permitindo maior integração entre os profissionais.
Também estamos fortalecendo os clubes do joelho, que promovem encontros regulares para discussão de casos clínicos, troca de experiências e atualização científica.
Portal da Ortopedia: Como o senhor avalia os desafios atuais da cirurgia do joelho no Brasil?
Dr. Guilherme Abreu:
Um dos principais desafios é acompanhar as inovações tecnológicas com responsabilidade. Muitas dessas tecnologias têm alto custo e origem em países desenvolvidos.
Precisamos sempre avaliar segurança, eficácia e viabilidade econômica. A inovação deve ser incorporada de forma racional, pensando na realidade dos nossos pacientes.
Ao mesmo tempo, o Brasil tem avançado muito na produção científica, com pesquisas reconhecidas internacionalmente.
Portal da Ortopedia: Que legado o senhor pretende deixar ao final da sua gestão?
Dr. Guilherme Abreu:
Meu objetivo é contribuir para que a SBCJ esteja cada vez mais organizada, fortalecida institucionalmente e financeiramente saudável.
Quero que a sociedade continue sendo uma referência para os jovens especialistas, oferecendo suporte, formação e inspiração para suas trajetórias.
Portal da Ortopedia: Que mensagem o senhor deixaria para os ortopedistas que estão iniciando na área de joelho?
Dr. Guilherme Abreu:
