Entrevista revela os bastidores da atuação da enfermagem do esporte e da fisioterapia na saúde de atletas de elite
Enfermagem esportiva revela cuidados essenciais nos bastidores da alta performance no futebol feminino, corrida e balé clássico.
Redação
05 ago 2025 15:00
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Por: Rodrigo Santos Repórter Especial
Na tarde do primeiro Simpósio Internacional de Enfermagem Esportiva, conversamos com dois profissionais que vivenciam na prática o dia a dia da alta performance: a enfermeira Ana Camila, que atua no futebol feminino de base e profissional do Esporte Clube Corinthians Paulista, e o enfermeiro Antônio Fontes, doutorando em Ciências da Saúde, membro do grupo Bravus Race e bailarino clássico profissional.
Ana Camila compartilhou a estrutura de cuidados implementada no clube, que já começa com uma triagem clínica realizada antes mesmo do treino.
As atletas preenchem um questionário para direcionar nossas ações. É comum recebermos queixas musculares, principalmente após jogos ou treinos intensos.
Explica.
A enfermagem atua em parceria com a fisioterapia, ajudando na triagem, direcionamento para exames de imagem e no acompanhamento de resultados.
Quando há lesão traumática, a médica avalia a necessidade de exames. Caso contrário, a fisioterapia conduz o processo com sua expertise em reabilitação.
Ela destaca a importância de um olhar completo sobre a atleta:
Damos suporte também com orientações sobre sono, hidratação, alimentação e suplementação. No futebol feminino, avaliamos ainda aspectos do desenvolvimento, como curva de crescimento e menarca. Tudo impacta diretamente na performance.
Afirma Ana.
Já na corrida e nas maratonas, o foco muda, como explica Antônio Fontes.
Acompanhamos atletas em clínicas com cardiologistas, ortopedistas e nutricionistas. Um dos principais desafios está nas pisadas alteradas, causadas por treinos em terrenos variados. O tipo de calçado influencia diretamente no desempenho e nas lesões.
O tratamento baseia-se no tripé: fortalecimento muscular, fisioterapia e musculação.
São pilares tanto da recuperação quanto da prevenção. Precisamos enxergar o corredor como um atleta completo, que requer cuidado multidisciplinar constante.
A fisioterapeuta Andréa Tabet, que atua na Maratona do Rio e em hospitais de campanha durante as provas, reforça a importância desse cuidado contínuo:
No hospital de campanha, lidamos com casos graves e imediatistas — hipertermia, hiponatremia, desidratação severa. Mas muitos desses quadros poderiam ser evitados com acompanhamento prévio. Ainda vemos muitos atletas despreparados assumindo riscos, mesmo assinando declarações de que estão aptos. A preparação para uma maratona começa pelo menos uma semana antes, mas muitos comprometem tudo nos dias que antecedem a prova.
Ela alerta que há um esforço crescente para incluir nutricionistas esportivos nas equipes, mas o controle ainda é limitado:
A gente orienta, mas não tem como filtrar quem realmente está preparado. Por isso, reforçamos a necessidade de um acompanhamento multidisciplinar real, não apenas formal.
Além de pesquisador, Antônio também é bailarino. Sua vivência pessoal traz um alerta:
O balé clássico deveria ser reconhecido como uma modalidade esportiva. A rotina é intensa, e as lesões são frequentes, especialmente nos tornozelos. Já tive um entorse lateral grave, muito comum entre bailarinos.
Segundo ele, um dos problemas é a ausência de preparação física adequada nas escolas.
Muitos professores são artistas, mas não têm formação em saúde. Faltam profissionais como enfermeiros, fisioterapeutas e educadores físicos para orientar corretamente esses jovens dançarinos.
Fontes defende a valorização do balé como uma prática esportiva:
A base da alta performance está na tríade: treino, repouso e alimentação. Se uma modalidade exige isso, ela precisa ser tratada como esporte. O risco de lesão e abandono precoce é grande quando não há suporte.
Consulte seu médico!
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