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Entrevista com Dra. Ana Cláudia Pinto de Sousa: uma trajetória de coragem e inspiração na ortopedia brasileira

Da superação pessoal ao fortalecimento da representatividade feminina, Dra. Cláudia Pinto de Sousa celebra o Dia do Ortopedista com uma história inspiradora.

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Amanhã, dia 19 de Setembro, Dia do Ortopedista, o Portal Ortopedia homenageia profissionais que dedicam suas vidas à saúde e à qualidade de vida dos pacientes. Entre eles, destaca-se a Dra. Ana Cláudia Pinto de Sousa, referência na ortopedia nacional, que construiu uma carreira marcada por desafios, pioneirismo e dedicação à formação de novos especialistas. Nesta entrevista, ela compartilha sua trajetória, reflexões sobre a presença feminina na especialidade e conselhos para as futuras gerações.

“A ortopedia me escolheu”

Portal Ortopedia: Dra. Ana Cláudia, conte um pouco sobre sua formação e atuação atual na ortopedia.

Dra. Ana Cláudia: Sou formada há 35 anos e tenho 30 anos de dedicação à ortopedia. Conquistei meu título de especialista em 1994, e desde então atuei intensamente tanto no setor público quanto na medicina privada. Trabalhei muitos anos na traumatologia, principalmente no Hospital Universitário Antônio Pedro, onde hoje sou preceptora da residência médica.
Minha paixão atual é a formação de novos ortopedistas, preparando-os não apenas tecnicamente, mas também no aspecto humano. Quero entregar à sociedade profissionais completos, que tenham orgulho de sua atuação. Esse trabalho envolve muito mais do que técnicas cirúrgicas — trata-se de ensinar acolhimento, empatia e comportamento ético.

“O encanto pela ortopedia veio de um momento único”

Portal Ortopedia: Como surgiu o desejo de se dedicar à ortopedia?

Dra. Ana Cláudia: Curiosamente, meu início na medicina foi voltado para a pediatria. Porém, sempre tive interesse pela área cirúrgica. Durante a faculdade, fui convidada a assistir a uma cirurgia ortopédica. Ao presenciar uma osteotomia femoral em uma criança, me encantei profundamente. Naquele momento, decidi que seria ortopedista.
Foi uma escolha desafiadora — inclusive, surpreendi meus chefes na pediatria —, mas nunca me arrependi. A ortopedia me conquistou pela possibilidade de devolver movimento, qualidade de vida e independência aos pacientes.

“Ser mulher na ortopedia ainda é resistência”

Portal Ortopedia: Quais desafios você enfrentou como mulher em uma área ainda predominantemente masculina?

Dra. Ana Cláudia: Quando fiz residência, eu era a única mulher em um serviço militar. Todos os colegas e superiores eram homens. Não foi fácil. A ortopedia ainda carregava o estigma de ser uma especialidade exclusivamente masculina.
Fui a primeira mulher a ingressar por concurso no serviço de ortopedia do Hospital Antônio Pedro. Lembro-me de operar todos os dias durante um mês, provando a mim mesma e aos outros que eu era capaz. Nunca pensei em desistir, mesmo diante de preconceitos e dificuldades.
Hoje, percebo avanços. Embora as mulheres representem apenas cerca de 7% dos ortopedistas no Brasil, estamos ganhando espaço, não apenas em número, mas em qualidade e liderança. Vejo com orgulho minhas ex-residentes ocupando cargos de chefia e se tornando referência, como a Dra. Lorena Morenga e a Dra. Tatiana Novaes.

Mentoria e fortalecimento da representatividade feminina

Portal Ortopedia: Como fortalecer a presença feminina na ortopedia?

Dra. Ana Cláudia: Precisamos criar redes de apoio e mentoria. Projetos como a AMOB (Associação das Médicas Ortopedistas do Brasil) e a Comissão SBOT Mulher são fundamentais. Eles dão suporte emocional e profissional às jovens médicas, mostrando que elas podem ocupar qualquer espaço dentro da especialidade.
Além disso, é essencial que as novas gerações se preparem, estudem e tenham coragem para enfrentar o machismo e os desafios. Formar parcerias e amizades sólidas na profissão também é vital — ninguém constrói uma carreira sozinho.

Medicina esportiva: paixão que virou especialidade

Portal Ortopedia: Você também é especialista em medicina esportiva. Como surgiu esse interesse?

Dra. Ana Cláudia: Fui atleta de vôlei federada até os 19 anos. O esporte sempre fez parte da minha vida. Quando precisei escolher entre os treinos e a faculdade de medicina, optei pela carreira médica, mas nunca me afastei do esporte.
Naturalmente, a ortopedia me aproximou da medicina esportiva. Hoje, além de atender atletas, também atuo com terapias inovadoras, como a terapia por ondas de choque, que estimula a regeneração dos tecidos e acelera a recuperação de lesões musculoesqueléticas. Essa tecnologia, embora já consolidada em países da Europa, vem ganhando espaço na América Latina e tem mostrado excelentes resultados quando associada a fisioterapia, nutrição e prevenção de lesões.

Avanços tecnológicos: da onda de choque aos ortobiológicos

Portal Ortopedia: Quais são as inovações mais promissoras na área atualmente?

Dra. Ana Cláudia: A terapia por ondas de choque tem sido uma grande aliada na reabilitação esportiva. Outro avanço são os ortobiológicos, tratamentos que utilizam recursos do próprio organismo do paciente para acelerar a regeneração, como o uso de células e fatores de crescimento.
No Brasil, essa área ainda está em expansão, mas já vemos grupos de pesquisa dedicados a validar e aprimorar esses tratamentos, trazendo esperança para muitos pacientes.

Superando mitos na ortopedia

Portal Ortopedia: Existe algum mito sobre a ortopedia que você gostaria de desmistificar?

Dra. Ana Cláudia: Sim, o principal mito é de que “ortopedia não é para mulheres”. Isso é falso. A ortopedia é para qualquer profissional apaixonado pela especialidade. Todos os dias, mulheres têm mostrado competência, liderança e sensibilidade nessa área.

Conselhos para futuros ortopedistas

Portal Ortopedia: Que mensagem você deixaria para quem está iniciando na ortopedia?

Dra. Ana Cláudia: Primeiro, é importante lembrar que ser médico é uma vocação. A ortopedia exige dedicação, anos de estudo e prática. São, no mínimo, três anos de residência, além das especializações.
Para as mulheres, meu conselho é: não se deixem abalar por preconceitos ou tentativas de desvalorização. Busquem mentoras, redes de apoio e colegas que fortaleçam sua jornada.
E para todos, homens e mulheres: formem parcerias sólidas. Ninguém constrói uma carreira sozinho. O trabalho em equipe é essencial para o crescimento profissional e pessoal.

Homenagem no Dia do Ortopedista

Ser ortopedista é devolver movimento, esperança e qualidade de vida aos pacientes. Neste Dia do Ortopedista, celebro não apenas minha trajetória, mas a de todos os colegas que, com dedicação e paixão, transformam vidas diariamente.

Finaliza Dra. Ana Cláudia Pinto de Sousa.

Essa entrevista é uma homenagem a todos os ortopedistas, especialmente às mulheres que, assim como Dra. Ana Cláudia, enfrentaram barreiras e abriram caminhos para as próximas gerações.

Ana Cláudia Pinto de Souza

Ana Cláudia Pinto de Souza Ortopedia

Registro CRM RJ 536414 TEOT 5432

Médica do esporte Ortopedista - Traumatologista Experiência em: Prevenção e Tratamento de Lesões, Osteomusculares, Terapia de ondas de choque, Traumatologia Esportiva, Ortopedia Geral, Osteometabolismo.

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