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Entrevista com Dr. Miguel Akkari: a nova gestão da SBOT e os desafios da ortopedia brasileira

Em entrevista exclusiva, presidente da SBOT apresenta planos para valorização profissional e qualificação da especialidade, confira!

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Nesta entrevista exclusiva ao Portal da Ortopedia, o Dr. Miguel Akkari, presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) na gestão de 2026, compartilha sua trajetória profissional, construída a partir de sólida formação acadêmica, atuação assistencial intensa e longa dedicação às entidades representativas da ortopedia nacional.

Portal da Ortopedia: Boa tarde, doutor Miguel. Nós estamos aqui com o Dr. Miguel Akkari, presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, pelo Portal da Ortopedia. Presidente, gostaríamos que o senhor começasse contando um pouco da sua trajetória na ortopedia, como foi a sua formação, como iniciou a sua carreira e quais marcos o senhor destaca da sua vida profissional.

Dr. Miguel Akkari: Perfeito. Eu fiz a faculdade de Medicina no Rio de Janeiro. Entrei em 1986 e me formei em 1991. Já no segundo ou terceiro ano da faculdade eu comecei a ter atração pela ortopedia e passei a acompanhar serviços de forma extracurricular. Isso proporciona uma visão muito diferente da especialidade, acompanhando profissionais e serviços fora da grade formal da faculdade.

Quando eu me formei, em 1991, eu já tinha certeza de que faria ortopedia. Sou natural de São Paulo e quis retornar para fazer a residência. Prestei várias provas, como todo mundo, mas foquei em serviços de excelência. Consegui aprovação em alguns deles, mas o que eu realmente queria era a Santa Casa de São Paulo, que sempre foi uma ortopedia extremamente concorrida e reconhecida nacionalmente.

Na época, a Santa Casa era o único serviço do Brasil em que a residência tinha quatro anos de duração. Todos os outros serviços tinham três anos. Esse quarto ano, como R4, proporciona um período de aprendizado muito diferente, com mais maturidade profissional. Além disso, é um serviço com enorme demanda, tanto em ortopedia quanto em traumatologia.

Fiz os quatro anos de residência e, durante esse período, fui convidado a permanecer como chefe do grupo de trauma geral, o que incluía atividades cirúrgicas e plantões. Também fui convidado a integrar a ortopedia pediátrica, especialidade pela qual me apaixonei. Trabalhei nesses dois setores após a residência: na ortopedia geral, diretamente ligado aos residentes, e na ortopedia pediátrica. Paralelamente, fui desenvolvendo toda a parte acadêmica e científica, já que a Santa Casa é um hospital-escola. Sempre gostei também da parte corporativa e societária, de fazer parte de grupos organizados. Em um hospital-escola, você precisa estar vinculado ao ensino e à pesquisa, não há como dissociar isso da prática assistencial.

Passei então a participar mais ativamente das sociedades médicas, especialmente da Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica, onde ocupei diversas posições até culminar na presidência nos anos de 2017 e 2018. Foram dois anos de presidência.

Além disso, atuei em diversas outras frentes acadêmicas e societárias. Após deixar a presidência da ortopedia pediátrica, eu já trabalhava na SBOT em outras posições, como tesoureiro, e participei de campanhas institucionais. Passei então a focar mais na sociedade mãe, a SBOT, o que culminou, após cerca de dez anos de atuação, com a minha presidência agora em 2026.

Essa trajetória societária é sempre escalonada. É uma atividade que exige dedicação e tempo, sempre com o objetivo do crescimento da sociedade. Vale lembrar que todos nós, dentro da SBOT, somos voluntários.

Hoje, continuo ligado à Sociedade de Ortopedia Pediátrica em uma função de conselheiro, sem cargo diretivo, permitindo que novas lideranças cresçam. Na SBOT, estou neste ano como presidente. Minha trajetória passa pela assistência, pela academia e pela atuação societária.

Portal da Ortopedia: O senhor tem ampla experiência assistencial, acadêmica e institucional. Como o senhor enxerga a liderança que pode exercer dentro da SBOT?

Dr. Miguel Akkari: A SBOT é uma sociedade extremamente estruturada. Quando somos eleitos, entramos na diretoria dois anos antes, passando pelos cargos de segundo vice-presidente, primeiro vice-presidente e presidente. Mesmo após o mandato, permanecemos um ano como consultores, participando das decisões.

As decisões são sempre coletivas. Cada membro traz sua visão, suas diretrizes, e chegamos a um consenso. A sociedade é presidencialista, mas os conselhos e comissões têm muita autonomia. O papel do presidente é dar direção a esse time, que trabalha intensamente.  Temos um corpo administrativo altamente qualificado, com profissionais que trabalham há muitos anos na SBOT, com enorme experiência. É uma equipe de excelência.

Portal da Ortopedia: Como o senhor avalia o caminho que percorreu até a presidência e os próximos passos?

Dr. Miguel Akkari: O que me trouxe até aqui foi a respeitabilidade construída ao longo do tempo. Não se ocupa um cargo de liderança sem reconhecimento dos pares. Isso não se constrói rapidamente, mas com atitudes consistentes com residentes, alunos, colegas e pacientes. A presidência é fruto de um consenso. Muitos colegas poderiam estar nessa posição, mas as circunstâncias convergiram para isso. Temos desafios importantes, como a construção do Centro de Treinamento da SBOT. Já adquirimos o terreno e estamos realizando análises financeiras criteriosas para não interferir nas atividades da sociedade.

Também estamos promovendo uma grande modernização na comunicação e no marketing institucional, informatizando processos e incorporando inteligência artificial para facilitar o acesso do sócio às informações.

Além disso, firmamos parceria com um escritório de advocacia para oferecer assessoria jurídica gratuita aos sócios, voltada à orientação profissional e administrativa.

Portal da Ortopedia: Qual legado o senhor pretende deixar ao final da gestão?

Dr. Miguel Akkari: Se eu conseguir aproximar a SBOT do sócio, especialmente daquele que está distante dos grandes centros e dos hospitais-escola, já será um grande legado. O sócio precisa sentir que a SBOT faz parte do seu dia a dia, que ele é acolhido. Isso só é possível com comunicação eficiente.

Portal da Ortopedia: Como o senhor avalia a formação ortopédica no Brasil atualmente?

Dr. Miguel Akkari: Temos cerca de 178 serviços credenciados pela SBOT, mas muitos outros não credenciados, sobre os quais temos pouco acesso. O crescimento acelerado do número de vagas em Medicina, sem ampliação proporcional das residências, criou um desequilíbrio na formação. Estamos dialogando com a Comissão Nacional de Residência Médica para tentar aproximar esses serviços da SBOT, oferecendo nossa expertise educacional construída ao longo de mais de 90 anos.

Portal da Ortopedia: Qual a importância da prova de título de especialista?

Dr. Miguel Akkari: A prova de Título de Especialista em Ortopedia e Traumatologia é um selo de qualidade. É uma das provas mais complexas do mundo, com avaliação teórica, prática, oral e de habilidades. Estamos aprimorando o modelo com avaliações progressivas ao longo da residência.

Portal da Ortopedia: Para finalizar, que mensagem o senhor deixa aos ortopedistas e residentes?

Dr. Miguel Akkari: Nunca percam o foco na atualização. A medicina evolui rapidamente. Mesmo quando não é possível aplicar todas as tecnologias, é essencial conhecê-las para orientar corretamente o paciente. A formação não termina com a graduação ou a residência.

Com uma trajetória sólida que integra assistência, academia e gestão institucional, o Dr. Miguel Akkari assume a presidência da SBOT em um momento de transformações importantes para a ortopedia brasileira. Seus planos de modernização da comunicação, construção do Centro de Treinamento e fortalecimento do vínculo com os associados demonstram uma visão estratégica voltada não apenas para a excelência técnica, mas também para a valorização profissional dos ortopedistas em todas as regiões do país. A mensagem de atualização constante e compromisso com a qualidade assistencial reflete o propósito de uma gestão que busca manter a SBOT como referência nacional na formação e representação da especialidade.

Consulte seu médico!

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