A participação de fisioterapeutas em congressos de Ortopedia amplia a troca entre as diferentes etapas do cuidado ao paciente — da indicação cirúrgica à recuperação da função.
Durante o Orto in Rio, o Portal da Ortopedia conversou com Késia Castro, da Aquatop, e com o fisioterapeuta Thiago Vidal sobre essa integração. Entre os temas abordados estão a importância da atualização multiprofissional, o papel da fisioterapia aquática no pós-operatório e a necessidade de levar a reabilitação até a recuperação efetiva da autonomia do paciente.
Confira a entrevista.
Késia CastroÉ importante saber como os tratamentos da Ortopedia estão evoluindo.

Portal da Ortopedia — Entre as aulas que você acompanhou no congresso, o que mais chamou sua atenção?
Késia Castro — O programa está bem diversificado. A comissão científica escolheu abordar diferentes áreas da Ortopedia e, para nós, fisioterapeutas, é muito importante participar de um evento como esse.
Isso nos ajuda a entender como os tratamentos ortopédicos estão evoluindo e, consequentemente, como vamos receber esses pacientes depois.
Cada vez mais vemos soluções interdisciplinares se encontrando com a Ortopedia. Isso permite que o paciente chegue ao consultório com melhores condições para continuarmos o tratamento e trabalharmos para que ele retorne às atividades, às suas funções e à vida cotidiana.
É muito bom estarmos juntos nesse momento, recebendo todas essas informações.
Fisioterapia aquática como porta de entrada para a reabilitação
Portal da Ortopedia — A Aquatop tem forte atuação na reabilitação aquática. Como a fisioterapia na água pode ajudar o paciente ortopédico?
Késia Castro — Costumo explicar que a fisioterapia aquática pode ser uma primeira porta para receber esse paciente.
Ele pode sair de um pós-cirúrgico bastante incapacitado e com dor. Quando entra na água e sente o corpo flutuar, encontra menos dificuldade para se movimentar. Isso pode facilitar o início do processo de recuperação das atividades diárias.
Depois, vamos evoluindo esse paciente.
Hoje, na Aquatop, temos outras ferramentas que permitem fazer essa transição gradualmente, tirando o paciente da água e dando condições para que ele volte aos treinamentos e às atividades físicas mais adequadas para o processo de longevidade e de envelhecimento ativo e saudável.
Portal da Ortopedia — Há quanto tempo a Aquatop atua nessa área?
Késia Castro — Vamos completar 30 anos.
Hoje estamos no Leblon. A unidade de Ipanema também passou para o Leblon e a estrutura cresceu.
Atualmente temos escola de natação, treinamento aquático e uma clínica completa de fisioterapia, a Fisiotop, que é uma marca da Aquatop.
A reabilitação só termina quando a função é restaurada
Thiago Vidal
O fisioterapeuta Thiago Vidal também destacou a presença crescente da Fisioterapia em congressos tradicionalmente ligados à Ortopedia.
Para ele, essa aproximação evidencia que o cuidado não termina quando a estrutura anatômica é tratada.
Portal da Ortopedia — Estamos vendo cada vez mais fisioterapeutas participando de congressos de Ortopedia. Qual é a importância dessa aproximação?
Thiago Vidal — Para nós, ficou muito clara a importância de restaurar a função.
A discussão neste congresso está muito rica porque envolve anestesista, clínico, hematologista, cirurgião e outros profissionais.
Primeiro, é preciso entender se o paciente é ou não candidato à cirurgia. Quando há indicação, a cirurgia trabalha para restaurar a estrutura.
Hoje, o avanço da tecnologia permite diferentes possibilidades, como artroplastias totais ou parciais. Depois disso, entra uma etapa fundamental: restaurar a função.
É muito importante vermos pacientes cada vez mais bem avaliados, com participação do clínico, anestesia qualificada, material cirúrgico adequado e uma equipe preparada.
Mas todo esse processo só alcança seu objetivo quando conseguimos devolver função ao paciente.
Autonomia, força e movimento como objetivos da recuperação
Portal da Ortopedia — Então a reabilitação também precisa ser entendida como parte do resultado final do tratamento?
Thiago Vidal — Sim. Precisamos lembrar que a motivação do paciente ao procurar o cirurgião ou o clínico só se completa quando termina a reabilitação e ele recupera sua autonomia e independência.
Todo o processo precisa levar a esse resultado.
Na fisioterapia, trabalhamos aspectos como treino de força, gerenciamento da dor e recuperação do arco de movimento.
É um orgulho para mim e para a Késia saber que essa etapa está conosco: a de restaurar a função.
Existe todo um caminho que começa com avaliação clínica, anestésica e cirúrgica. Depois, a reabilitação tem a responsabilidade de conduzir esse paciente de volta às suas atividades.
Integração entre especialidades acompanha toda a jornada do paciente
As falas de Késia Castro e Thiago Vidal convergem em um ponto: o tratamento ortopédico não deve ser entendido como uma sequência de etapas isoladas.
Do planejamento médico ao procedimento cirúrgico e, posteriormente, à fisioterapia, diferentes profissionais participam de uma mesma jornada.
Para Késia, acompanhar congressos de Ortopedia permite ao fisioterapeuta compreender melhor as mudanças nos tratamentos e preparar a reabilitação de acordo com a realidade que encontrará no consultório.
Já Thiago reforça que o sucesso estrutural de um tratamento precisa ser acompanhado pela recuperação funcional.
Nesse sentido, reduzir a dor, recuperar movimento, desenvolver força e devolver autonomia passam a fazer parte de um mesmo objetivo: permitir que o paciente retome suas atividades e sua qualidade de vida.
Entrevistas concedidas ao Portal da Ortopedia durante o Orto in Rio.