A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) realizou nesta quinta-feira (12), em Campinas (SP), o Fórum SBOT 2026, encontro que reuniu especialistas e lideranças médicas para discutir temas estratégicos para a profissão, com destaque para a importância da representatividade política na medicina.
O evento antecedeu a realização, também em Campinas, da etapa prática do Exame para Obtenção do Título de Especialista em Ortopedia e Traumatologia (TEOT). Considerado o principal processo de certificação da especialidade no Brasil, o exame é aplicado anualmente desde 1971 e representa a fase final de avaliação para médicos que desejam obter o título reconhecido pela Associação Médica Brasileira (AMB).
A abertura do fórum foi conduzida pelo presidente da SBOT, Miguel Akkari, que deu as boas-vindas aos participantes e destacou o papel da entidade na qualificação profissional e na defesa da medicina de excelência.
Homenagens
Durante o evento, o ortopedista Paulo Lobo anunciou a concessão do Prêmio Mérito Ortopédico Brasileiro Nicolas Andry 2025 ao ortopedista José Sérgio Franco. A trajetória acadêmica e profissional do homenageado foi apresentada pelo ortopedista Marcos Musafir, que destacou a extensa contribuição de Franco à ortopedia brasileira e internacional. Autor de 22 livros sobre ortopedia e traumatologia, Franco foi presidente da SBOT e de diversas entidades médicas, além de ter ocupado o cargo de vice-presidente da Sociedade Internacional de Ortopedia. Seu currículo inclui mais de 1.100 citações acadêmicas e dezenas de prêmios e honrarias ao longo da carreira.
Musafir também ressaltou a atuação do especialista em importantes campanhas de prevenção no país.
Temas como o uso do cinto de segurança no Brasil, as campanhas contra álcool e direção e a defesa da cadeirinha para crianças no carro devem muito ao trabalho do Sérgio Franco.
Afirmou.
Em seu discurso de agradecimento, Franco destacou o significado da homenagem.
Receber esse prêmio é uma emoção difícil de traduzir em palavras e carrego aqui um enorme sentimento de gratidão. A medicina tornou-se uma missão de vida. Quantas vezes vemos um paciente chegar ao consultório com dor e sem caminhar e, depois de um tempo, retornar andando novamente. É uma profissão profundamente gratificante.
Afirmou.
Segundo ele, a homenagem representa uma construção coletiva.
Esse prêmio não é apenas meu, mas também de meus mestres, colegas e amigos com quem compartilho a medicina, além da minha família e dos nossos pacientes, que são a razão de tudo. A ortopedia não é apenas técnica, mas também humanidade.
Completou.
O fórum também prestou uma homenagem póstuma ao ortopedista Akira Ishida, falecido no final do ano passado, com a entrega do Prêmio Especial Mérito Ortopédico Brasileiro Nicolas Andry.
A homenagem foi conduzida pelo ortopedista Walter Albertoni que relembrou a trajetória acadêmica e institucional de Ishida. Com a criação do Departamento de Ortopedia da Unifesp, em 1991, Ishida foi chefe da Disciplina de Ortopedia Pediátrica, conquistou o título de livre-docente em 1999 e posteriormente tornou-se chefe do Departamento de Ortopedia e professor titular da instituição, além de ter ocupado diversos cargos na SBOT.
Akira era o amigo de todas as horas, sempre alegre e disponível, respeitoso e leal. Vai fazer muita falta e jamais será esquecido.
Afirmou Albertoni.
Representatividade política em debate
Um dos principais momentos do fórum foi o debate “Importância da Política Representativa na Medicina”, moderado pelo ortopedista Luiz Antônio Munhoz da Cunha.
Entre os convidados esteve o senador Hiran Gonçalves, coordenador da Frente Parlamentar da Medicina, que alertou para a expansão desordenada de cursos médicos no país. Segundo ele, a proliferação de escolas médicas tem levado à formação de profissionais sem a base necessária para o exercício da profissão.
Precisamos valorizar os melhores profissionais, os mais qualificados, aqueles que realmente se empenham. Temos visto jovens sem a aptidão necessária exercendo a profissão e, muitas vezes, enganando pessoas.
Afirmou.
Também participou do debate o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que ressaltou a importância da participação dos médicos na política institucional.
Na democracia representativa, quem não se faz representar já perdeu. Ainda não temos uma bancada médica estruturada no Congresso. Ser cidadão é um ato político e precisamos dar visibilidade às pautas que interessam à medicina e também à população.
Ressaltou.
A cardiologista é ex-deputada federal, Mariana Fonseca Ribeiro Carvalho, reforçou a necessidade de ampliar a presença de médicos na vida pública.
Muitas vezes vemos um distanciamento da medicina da vida pública, mas esses debates são essenciais. Com bancadas fortes no Congresso podemos ter uma medicina mais valorizada e incentivar que novos médicos busquem residência e melhor capacitação.
Afirmou.

Formação e futuro da especialidade
No encerramento do fórum, o presidente da SBOT destacou projetos estratégicos da entidade, entre eles a criação de um Centro de Treinamento da SBOT, iniciativa que pretende ampliar a capacitação de novos ortopedistas e fortalecer a formação prática na especialidade. Segundo Dr. Miguel Akkari, investir na qualificação profissional é fundamental para garantir a excelência da ortopedia brasileira e manter os padrões de formação reconhecidos internacionalmente.