O Centir, inaugurado em março de 2026 no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, reduz o tempo de fabricação de próteses à metade e amplia o acesso de pacientes da rede pública a dispositivos feitos sob medida.
O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), referência nacional em ortopedia e reabilitação musculoesquelética vinculada ao Ministério da Saúde, deu um passo significativo na assistência pública em 20 de março de 2026: a inauguração do Centro Tecnológico de Impressão 3D e Reabilitação, batizado pela sigla Centir. A nova estrutura amplia a capacidade de produção de próteses personalizadas, biomodelos e guias cirúrgicos para pacientes atendidos pelo SUS.
O Centir representa a consolidação de um esforço que já vinha sendo desenvolvido pelo INTO há alguns anos. Desde a criação do projeto Pelas Mãos, a instituição fabricou cerca de 70 próteses por impressão 3D. Com os equipamentos agora disponíveis, espera-se triplicar essa produção e reduzir pela metade o tempo necessário para a confecção de cada dispositivo — de aproximadamente dez horas para cerca de quatro horas por peça.
O que muda com os novos equipamentos
Além do ganho em velocidade de produção, os novos equipamentos trazem diferenciais técnicos relevantes. Entre eles, a possibilidade de trabalhar com peças em formatos maiores — especialmente próteses de membros inferiores, que exigem dimensões mais generosas — e a compatibilidade com diferentes tipos de filamentos. Essa flexibilidade de materiais se traduz diretamente na qualidade do acabamento final dos dispositivos, tornando-os mais uniformes e confortáveis para o uso cotidiano dos pacientes.
O INTO será capaz de produzir próteses com mais rapidez, dando maior qualidade de vida e dignidade, e contribuindo para a reabilitação e reinserção dos pacientes à sociedade.
Dr. José Paulo Gabbi, diretor do INTO.
O diretor do INTO também destacou a conexão da iniciativa com o programa federal Agora tem Especialistas, do Ministério da Saúde, que busca ampliar a oferta de assistência especializada de qualidade na rede pública. O nome escolhido para o centro — Centir — foi apresentado como uma alusão ao sentimento que a equipe experimenta ao entregar ao paciente do SUS um serviço dessa natureza.
Guias cirúrgicos e biomodelos: tecnologia que vai além da prótese
A produção do Centir não se limita às próteses. Os guias cirúrgicos — réplicas físicas de estruturas anatômicas usadas no planejamento e na execução de procedimentos ortopédicos — representam outro produto relevante da nova estrutura. Essas peças permitem que o cirurgião visualize e simule o procedimento antes de entrar no centro cirúrgico, contribuindo para maior precisão técnica e menor margem de erro durante a intervenção. Os biomodelos, por sua vez, são utilizados tanto no ensino médico quanto na comunicação com o paciente sobre o próprio caso clínico.
O que o Centir vai produzir
- Próteses personalizadas de membros superiores e inferiores, adaptadas à anatomia e à demanda funcional de cada paciente
- Guias cirúrgicos impressos em 3D para auxiliar no planejamento e na precisão de procedimentos ortopédicos
- Biomodelos anatômicos utilizados em ensino médico e comunicação com pacientes
- Dispositivos para uso em atividades físicas, como a prótese aquática desenvolvida para prática de surf
Pacientes recebem próteses na cerimônia de abertura
A inauguração do Centir teve como momento central a entrega simbólica de dispositivos a três pacientes atendidos pelo INTO, cujas histórias ilustram o alcance da tecnologia desenvolvida no centro:
- Maria Heloá Batista Vieira:
8 anos
Prótese de braço - Jorge Rocha Oliveira:
Adulto
Prótese de braço
- Pedro Vinicius de Moraes Nascimento:
14 anos
Prótese de perna
Jorge Rocha Oliveira destacou o impacto do dispositivo personalizado na rotina: “receber uma prótese feita sob medida representa mais conforto e maior independência durante o tratamento“.
Para a família de Pedro Vinicius, de 14 anos, a prótese com projeto específico para uso na água representa muito mais do que mobilidade — “é uma porta aberta para o aprendizado e para a vivência de experiências que a condição limitava“. Raimundo Alves do Nascimento, pai do jovem, celebrou a possibilidade de o filho finalmente conseguir entrar no mar.
Sempre me emociono ao ver a felicidade do paciente ao se ver conseguindo realizar uma atividade relevante e significativa para ele.
Sandra Helena Moura, terapeuta ocupacional da Área de Reabilitação do INTO
Para Maria da Conceição Soares, chefe da Área de Reabilitação do INTO, a abertura do Centir representa a concretização de uma meta de longa data para a equipe, fruto de muito trabalho e apoio institucional.
Por que isso importa para a ortopedia brasileira
A impressão 3D aplicada à ortopedia avança rapidamente no cenário internacional, mas sua adoção no sistema público de saúde ainda enfrenta barreiras de custo e infraestrutura. A iniciativa do INTO posiciona o Brasil entre os países que oferecem essa tecnologia gratuitamente a pacientes de baixa renda, eliminando o abismo que normalmente separa a inovação protética do acesso pelo SUS.
Do ponto de vista clínico, a personalização das próteses vai além da estética: dispositivos adaptados à anatomia individual do paciente proporcionam melhor distribuição de carga, menor risco de lesões secundárias por uso inadequado e maior adesão ao processo de reabilitação — fatores diretamente associados a melhores resultados funcionais de longo prazo.
Fonte: Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) — Ministério da Saúde.
https://www.into.saude.gov.br/component/content/article?id=1195