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Lesão grave afasta Jamal Musiala dos gramados: entenda o que aconteceu com o craque do Bayern

Lesão chama atenção para combinação de fratura da fíbula com rompimento ligamentar no tornozelo — um dos traumas ortopédicos mais graves e desafiadores na medicina esportiva.

Crédito: Metrópoles -Rich von Biberstein/Icon Sportswire via Getty Images Crédito:

O jogador Jamal Musiala, meia-atacante do Bayern de Munique, sofreu uma lesão grave durante a partida contra o Paris Saint-Germain, válida pelas quartas de final do Mundial de Clubes da FIFA. O lance, ocorrido no final do primeiro tempo, chocou torcedores, companheiros e adversários: após uma disputa de bola com o goleiro Donnarumma, Musiala acabou tendo a perna esquerda prensada, sofrendo uma fratura na fíbula (perônio) e lesões nos ligamentos do tornozelo.

Mecanismo da lesão

O que foi relatado:

  • Musiala disputava uma bola com Donnarumma.
  • O goleiro caiu por cima da perna esquerda de Musiala, com o peso do corpo incidindo diretamente na região inferior da perna e tornozelo.
  • Isso causou uma fratura na fíbula e uma torção forçada no tornozelo, gerando lesões nos ligamentos estabilizadores da articulação.

Esse tipo de trauma é chamado de lesão por esmagamento com torção associada, muito comum em esportes de contato quando o pé está fixo no chão e uma força externa atua sobre a perna ou tornozelo.

Fratura da fíbula (perônio)

Estrutura:

  • A fíbula (também chamada perônio) é o osso mais fino da parte inferior da perna, localizado ao lado da tíbia.
  • Ela não carrega muito peso, mas é essencial na estabilidade lateral do tornozelo, especialmente no ponto de articulação distal (inferior).

Fratura:

  • A fratura foi descrita como fratura da fíbula distal, ou seja, próxima ao tornozelo.
  • Pode estar associada a:
    • Fratura isolada
    • Lesão de sindesmose (ligamento entre a fíbula e a tíbia)
    • Fratura do tipo “Maisonneuve” (se for mais alta, perto do joelho – não parece ser o caso dele)

Ligamentos do tornozelo envolvidos

O tornozelo possui ligamentos essenciais que estabilizam a articulação entre tíbia, fíbula e tálus. No caso de Musiala, a lesão comprometeu ligamentos laterais e/ou da sindesmose.

Vamos aos principais:

A. Ligamentos laterais do tornozelo (mais frequentemente lesionados):

Esses ligamentos estão do lado de fora (lateral) do tornozelo:

  1. Ligamento talofibular anterior (LTFA)
    • Mais comumente lesionado em entorses.
    • Liga a fíbula ao tálus.
    • Lesão típica em inversão do tornozelo.
  2. Ligamento calcaneofibular (LCF)
    • Liga a fíbula ao osso calcâneo.
    • Mais resistente, lesado em entorses mais severos.
  3. Ligamento talofibular posterior (LTFP)
    • Lesão rara, só em torções muito graves.

B. Ligamento deltóide (medial)

  • Do lado de dentro do tornozelo.
  • Lesão menos provável, mas pode ocorrer em lesões de rotação externa forçada, como em esmagamentos.

C. Sindesmose Tíbio-Fibular

  • Complexo de ligamentos que une a tíbia e a fíbula, perto do tornozelo.
  • Lesão de sindesmose (a chamada “lesão do tornozelo alto”) é mais grave e exige maior tempo de recuperação.
  • Indica instabilidade entre os ossos da perna, frequentemente associada a fraturas.

O que se suspeita no caso de Musiala:

  • Fratura da fíbula distal
  • Provável lesão ligamentar lateral e/ou da sindesmose
  • Necessidade de avaliação por imagem (ressonância) para verificar:
    • Grau da lesão ligamentar
    • Se haverá necessidade de cirurgia (ligamentos ou fratura)

Tratamento

A. Conservador (sem cirurgia) — se a fratura for estável e os ligamentos parcialmente preservados:

  • Imobilização com bota ortopédica
  • Analgésicos/anti-inflamatórios
  • Fisioterapia intensiva após 3-6 semanas
  • Tempo de retorno: 10 a 14 semanas

B. Cirúrgico — comum nesse tipo de trauma em atletas profissionais:

  • Fixação da fíbula com placa e parafusos
  • Reconstrução dos ligamentos (especialmente da sindesmose)
  • Reabilitação rigorosa

Tempo estimado de recuperação (caso cirúrgico como se suspeita):

  • Fratura com lesão ligamentar associada: 4 a 6 meses
  • Se houver lesão grave de sindesmose ou múltiplos ligamentos, pode chegar a 9-12 meses, com risco de perda de desempenho pós-retorno.

Riscos futuros

  • Instabilidade crônica no tornozelo
  • Artrite pós-traumática (degeneração da articulação)
  • Perda de explosão muscular e agilidade
  • Dificuldade de voltar ao nível pré-lesão, especialmente se houver sequelas ligamentares

Complexidade da fratura

Jamal Musiala sofreu uma lesão de alta complexidade ortopédica, envolvendo:

  • Fratura da fíbula distal (perônio)
  • Lesão de ligamentos do tornozelo, provavelmente na região lateral e/ou sindesmótica

É o tipo de trauma que compromete mobilidade, estabilidade e desempenho, com uma recuperação que vai além da cicatrização óssea: exige fisioterapia intensiva, equilíbrio emocional e gestão cuidadosa para evitar recaídas. O Bayern terá que lidar com sua ausência por vários meses, e a seleção alemã também pode ser afetada em eventuais convocações.

Consulte seu médico!

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Lesões

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