A confirmação de uma lesão muscular grau 2 na panturrilha do atacante Neymar reacendeu o debate sobre um dos problemas mais comuns — e preocupantes — do esporte de alto rendimento: as lesões musculares moderadas.
O diagnóstico foi confirmado pelo médico da Seleção Brasileira, Rodrigo Lasmar, após exames realizados na Granja Comary. Segundo ele, o quadro é mais complexo do que um simples edema muscular.
Terminamos com uma ressonância magnética que identificou uma lesão muscular grau dois na panturrilha, e não apenas um edema.
Afirmou Lasmar em coletiva divulgada pela imprensa esportiva.
A expectativa inicial divulgada pela equipe médica é de afastamento entre duas e três semanas.
O que é uma lesão muscular grau 2?
Na prática médica, as lesões musculares costumam ser classificadas em três níveis:
- Grau 1 → estiramento leve, sem ruptura significativa;
- Grau 2 → ruptura parcial das fibras musculares;
- Grau 3 → ruptura completa do músculo.

A lesão grau 2 é considerada moderada e costuma provocar dor intensa, perda de força e limitação funcional importante.
Em entrevista ao SBT News, o ortopedista André Tsai explicou:
Os estiramentos musculares podem ser divididos em grau leve, moderado ou grave. No caso do Neymar é um estiramento moderado em que você já tem um comprometimento das fibras musculares.
https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/entenda-a-lesao-grau-2-de-neymar-e-o-prazo-para-recuperacao
Segundo o especialista, esse tipo de lesão exige maior tempo de cicatrização justamente porque parte do tecido muscular sofre ruptura.
Por que esse tipo de lesão é tão comum no futebol?
Lesões musculares de grau 2 são frequentemente associadas a movimentos explosivos de aceleração, desaceleração e mudança brusca de direção — extremamente comuns no futebol profissional.
Panturrilha, posterior da coxa e adutores estão entre os grupos musculares mais afetados.
O risco aumenta em situações como:
- sequência intensa de jogos;
- fadiga muscular;
- retorno precoce após lesão;
- sobrecarga física;
- histórico prévio de lesões.
Dados publicados pela FIFA Medical Network mostram que lesões musculares representam uma das principais causas de afastamento no futebol de elite, especialmente em atletas acima dos 30 anos.
Quais sintomas costumam aparecer?
Os sinais mais comuns incluem:
- dor súbita durante esforço;
- sensação de “fisgada”;
- dificuldade para correr;
- perda de força;
- limitação para alongar;
- hematoma local;
- sensibilidade ao toque.
Em quadros moderados, muitos atletas relatam incapacidade de manter o desempenho esportivo logo após a lesão.
O tratamento exige progressão cuidadosa
A recuperação normalmente envolve:
- repouso relativo;
- controle inflamatório;
- fisioterapia;
- fortalecimento progressivo;
- recondicionamento físico;
- readaptação esportiva.
Em entrevista repercutida pela CNN Brasil, especialistas destacaram que o principal risco é acelerar demais o retorno.
André Tsai alertou:
A pessoa tem a pressão de ter que voltar precocemente porque tem um jogo importante, e aí o jogador não esperou o tempo adequado para cicatrização das fibras e acaba indo 100%, aí você acaba tendo uma realesão.
https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/entenda-a-lesao-grau-2-de-neymar-e-o-prazo-para-recuperacao
O retorno precoce é um dos principais fatores relacionados à reincidência muscular no esporte profissional.
Idade e histórico de lesões influenciam recuperação
Outro ponto frequentemente discutido entre médicos do esporte é o impacto da idade e das lesões anteriores.
Segundo Tsai:
Quanto maior a idade do atleta, a recuperação acaba sendo pior, porque a qualidade das fibras musculares, do colágeno, ele já tem uma elasticidade um pouco menor.
https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/entenda-a-lesao-grau-2-de-neymar-e-o-prazo-para-recuperacao
Atletas submetidos a cargas elevadas ao longo da carreira podem apresentar maior vulnerabilidade muscular, exigindo monitoramento constante.
O que muda no futebol moderno?
Nos últimos anos, clubes e seleções passaram a investir cada vez mais em:
- monitoramento de carga;
- controle de minutagem;
- biomecânica;
- prevenção muscular;
- recuperação regenerativa;
- análise fisiológica individualizada.
Mesmo assim, lesões musculares seguem entre os maiores desafios da medicina esportiva contemporânea.
Quando a lesão merece atenção?
Nem toda dor muscular significa um estiramento importante, mas alguns sinais exigem avaliação médica:
- dor intensa imediata;
- dificuldade para caminhar;
- perda de força;
- hematoma;
- limitação persistente;
- recorrência frequente.
O diagnóstico costuma envolver exame físico e exames de imagem, principalmente ultrassonografia e ressonância magnética.
A lesão muscular grau 2 é um problema relativamente comum no esporte de alto rendimento, mas que exige atenção para evitar complicações e recaídas.
O caso envolvendo Neymar reforça como mesmo atletas de elite precisam respeitar o tempo biológico de recuperação muscular.
Na medicina esportiva atual, o foco não é apenas acelerar o retorno — mas garantir que ele aconteça com segurança, reduzindo o risco de novas lesões e preservando a performance do atleta.
FAQ
O que é uma lesão muscular grau 2?
É uma lesão moderada em que ocorre ruptura parcial das fibras musculares, causando dor, perda de força e limitação dos movimentos.
Quanto tempo leva a recuperação?
O período de recuperação costuma variar entre 3 e 6 semanas, dependendo da gravidade da lesão e da resposta ao tratamento.
Quais são os sintomas mais comuns?
Dor intensa, sensação de fisgada, dificuldade para movimentar o músculo, fraqueza e hematomas estão entre os principais sintomas.
Lesão muscular grau 2 precisa de cirurgia?
Na maioria dos casos, não. O tratamento geralmente é conservador, com fisioterapia, controle da carga e reabilitação progressiva.
É possível voltar a treinar antes da recuperação completa?
O retorno precoce aumenta significativamente o risco de nova lesão e pode prolongar o tempo total de recuperação.
Quais músculos são mais afetados no futebol?
Panturrilha, posterior da coxa, adutores e quadríceps estão entre os grupos musculares mais lesionados em atletas de alta performance.