Durante o evento Mulheres na Ortopedia, promovido pela SBOT-RJ, a EMS — uma das maiores indústrias farmacêuticas do país — marcou presença institucional e discursiva por meio de Thalita Dias, representante da empresa, que falou sobre a importância do apoio corporativo à equidade de gênero na medicina e na ortopedia.
A EMS foi patrocinadora oficial do encontro, que reuniu médicas, residentes e estudantes para debater desafios enfrentados pelas mulheres na especialidade e fortalecer redes de apoio como a MOB — Mulheres Ortopedistas do Brasil.
“Acreditamos na importância de dar visibilidade às mulheres da ortopedia”
Ao ser perguntada sobre o que motivou a EMS a apoiar o evento, Thalita destacou que o movimento nasceu de um olhar consciente para as minorias presentes na especialidade ortopédica:
“A EMS tem voltado o olhar para outra frente de trabalho, além da demanda médica. Entendemos que dar luz às mulheres da ortopedia é uma causa, exatamente porque elas são uma minoria.”
Thalita Dias, da EMS
Para Thalita, apoiar o encontro foi também reconhecer desafios estruturais que persistem na área:
“A mulher, historicamente, luta para conseguir um lugar no mercado. Na ortopedia isso ainda é uma realidade. Consideramos a possibilidade de assédios, preconceitos e da falta de representatividade. Por isso quisemos estar presentes.”
A empresa reconhece lacunas e inicia movimento de escuta ativa
A representante foi questionada sobre programas internos da EMS voltados à promoção feminina em áreas médicas ou científicas. Ela admitiu que não há iniciativas estruturadas específicas, mas ressaltou que o evento marcou o início de um movimento necessário:
“Não é do meu conhecimento que haja um programa específico. Mas percebemos que existia uma lacuna — e quisemos atuar nesse sentido.”
Thalita reforçou que o primeiro passo para qualquer transformação é ouvir as mulheres:
“A maneira inicial de colaborar é escutando elas. Este momento inclui palestras e também debate, abrindo espaço para dicas, insights e novos encontros. Queremos que se sintam ouvidas e representadas.”
Parceria com SBOT-RJ e AMOB fortalece credibilidade e impacto
Perguntada sobre a importância de parcerias institucionais, Thalita foi clara:
“A SBOT é uma referência para essas mulheres. Recentemente foi criada uma comissão para mulheres dentro da SBOT. E como o grupo de mulheres se identifica muito, acreditamos que nos associando a essas entidades estamos construindo valores e atrelando interesses.”
A união entre indústria e entidades médicas, segundo ela, reforça a legitimidade de iniciativas voltadas à equidade e ao combate a desigualdades históricas dentro da profissão.
Mensagem final às futuras ortopedistas
Ao final da entrevista, Thalita deixou um recado direto às estudantes, residentes e médicas que sonham com a ortopedia:
“Que vocês usem as mulheres que desbravaram esse campo como inspiração. Se existe algum temor, o exemplo delas pode servir de motivação.”