O crescimento acelerado do beach tennis no Brasil, vem acompanhado de um efeito colateral importante: o aumento expressivo de lesões musculoesqueléticas.
Em 2026, clínicas de fisioterapia e ortopedia já relatam um crescimento de até 45% nos atendimentos relacionados a dores no cotovelo e ombro, com destaque para a epicondilite lateral, popularmente conhecida como “cotovelo de tenista” — agora também chamada de “cotovelo de beach tennis”.
O fenômeno levanta um alerta: até que ponto o lazer pode se tornar um fator de risco quando não há preparo físico adequado?
Por que o beach tennis está causando mais lesões?
O beach tennis combina movimentos repetitivos de membros superiores com impacto reduzido nas articulações inferiores, o que o torna atrativo para diferentes faixas etárias. No entanto, sua biomecânica exige atenção.
Principais fatores de risco:
- Movimentos repetitivos de extensão e rotação do punho
- Sobrecarga do antebraço em golpes como smash e voleio
- Falta de condicionamento físico específico
- Técnica inadequada
- Alta frequência de jogos sem recuperação adequada
O que é a epicondilite e por que ela está em alta?
A epicondilite lateral é uma inflamação dos tendões extensores do punho, na região lateral do cotovelo.
Sintomas mais comuns:
- Dor na parte externa do cotovelo
- Irradiação para o antebraço
- Dificuldade para segurar objetos
- Dor ao realizar movimentos simples, como abrir uma garrafa
No contexto do beach tennis, essa condição surge principalmente pelo uso repetitivo e sem preparo dos músculos do antebraço.
Biomecânica do esporte: onde está o problema?
O beach tennis exige movimentos rápidos e repetitivos, muitas vezes com técnica improvisada, principalmente entre praticantes iniciantes.
Pontos críticos:
- Uso excessivo do punho em vez do ombro
- Falta de ativação do core e cadeia cinética
- Sobrecarga unilateral
- Golpes executados fora do tempo ideal
Esse padrão aumenta o estresse sobre estruturas tendíneas, favorecendo microlesões cumulativas.
O que muda na prática clínica
O aumento dessas lesões levou a uma adaptação nos protocolos de fisioterapia:
Reabilitação mais específica para o esporte
- Exercícios focados no antebraço e estabilização do ombro
- Treino de cadeia cinética completa
Ênfase em controle de carga
- Ajuste da frequência de treinos
- Monitoramento de dor e fadiga
Correção biomecânica
- Reeducação de movimentos
- Orientação técnica em parceria com treinadores
Uso de recursos terapêuticos
- Terapia manual
- Exercícios excêntricos
- Modalidades como ondas de choque em casos crônicos
O foco deixa de ser apenas tratar a dor e passa a ser corrigir a causa mecânica da lesão.
Impacto para o paciente
Para o praticante, o impacto vai além da dor:
- Interrupção das atividades esportivas
- Limitação em tarefas do dia a dia
- Risco de cronificação da lesão
- Frustração e abandono do esporte
Por outro lado, quando bem conduzida, a reabilitação permite retorno seguro e mais eficiente.
Impacto para clínicas e profissionais de saúde
O cenário também altera a rotina dos profissionais:
- Aumento da demanda por fisioterapia esportiva
- Necessidade de protocolos específicos para beach tennis
- Integração maior com educadores físicos
- Expansão do atendimento preventivo
Como prevenir o “cotovelo de beach tennis”?
Estratégias recomendadas:
- Aquecimento adequado antes de jogar
- Fortalecimento de antebraço, ombro e core
- Respeitar períodos de descanso
- Ajustar técnica com acompanhamento profissional
- Evitar aumento abrupto da carga de treino
Tendência: esportes recreativos exigem abordagem profissional
O crescimento do beach tennis reflete uma tendência maior: esportes recreativos estão sendo praticados com intensidade semelhante à de atletas.
Isso exige:
- Preparação física adequada
- Orientação técnica
- Acompanhamento preventivo
O boom do beach tennis evidencia um ponto importante: o lazer ativo também demanda cuidado e preparo.
O aumento expressivo de casos de epicondilite e lesões no ombro mostra que a prática esportiva sem orientação pode levar a sobrecargas significativas.
A fisioterapia, nesse cenário, assume papel central — não apenas na reabilitação, mas principalmente na prevenção e educação do paciente.
FAQs
1. Toda dor no cotovelo é epicondilite?
Não. Outras condições podem causar sintomas semelhantes, por isso é importante avaliação profissional.
2. Posso continuar jogando com dor?
Não é recomendado. Isso pode agravar a lesão e prolongar a recuperação.
3. O beach tennis é um esporte perigoso?
Não, desde que praticado com preparo físico e orientação adequada.
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