Portal da Ortopedia é um oferecimento Shopmedical
close

Osteoartrite: o que há de novo no manejo da dor e na preservação articular

Com mais de 595 milhões de pessoas afetadas no mundo, a osteoartrite ganha novas estratégias de manejo. Intervenções minimamente invasivas e controle inflamatório estão transformando o tratamento e adiando cirurgias.

Crédito:

A osteoartrite (OA) é a doença articular mais prevalente no mundo. Segundo dados do Global Burden of Disease, mais de 595 milhões de pessoas vivem com osteoartrite globalmente, com projeção de crescimento superior a 40% até 2050 devido ao envelhecimento populacional e à obesidade.

No Brasil, a OA é uma das principais causas de dor crônica e incapacidade funcional após os 50 anos.

Se antes o tratamento era centrado em analgésicos e, nos casos avançados, prótese, hoje o foco mudou: controle inflamatório, intervenções minimamente invasivas e preservação articular precoce tornaram-se pilares do manejo moderno.

A osteoartrite não é apenas “desgaste”

A visão antiga de que a osteoartrite era exclusivamente mecânica foi superada.

Evidências atuais mostram que a OA é uma doença inflamatória crônica de baixo grau, envolvendo:

  • Ativação de citocinas inflamatórias (IL-1β, TNF-α)
  • Produção de metaloproteinases (MMPs)
  • Alterações no osso subcondral
  • Inflamação sinovial persistente

Esse entendimento explica por que o controle metabólico e inflamatório impacta diretamente na progressão da doença.

O que dizem as diretrizes internacionais mais recentes?

OARSI (Osteoarthritis Research Society International – 2023/2024)

Reforça que o tratamento deve ser:

  • Individualizado
  • Baseado em risco cardiovascular e metabólico
  • Multimodal

EULAR (European Alliance of Associations for Rheumatology)

Destaca:

  • Exercício supervisionado como primeira linha
  • Controle de peso como intervenção estrutural
  • Uso criterioso de infiltrações

AAOS (American Academy of Orthopaedic Surgeons)

Atualizou recomendações enfatizando:

  • Fortalecimento muscular estruturado
  • Evidência limitada para algumas infiltrações biológicas
  • Cautela no uso rotineiro de opioides

O que há de novo no manejo da dor?

Terapia por ondas de choque (ESWT)

A terapia por ondas de choque extracorpóreas tem acumulado evidências principalmente para osteoartrite de joelho leve a moderada.

Estudos clínicos demonstram:

  • Redução significativa da dor (WOMAC e VAS)
  • Melhora funcional
  • Estímulo à neovascularização subcondral
  • Modulação inflamatória local

Meta-análises recentes indicam melhora comparável ou superior ao ácido hialurônico em alguns subgrupos, com perfil seguro e não invasivo.

É considerada opção adjuvante no tratamento conservador.

Infiltrações intra-articulares guiadas

A aplicação guiada por ultrassom aumentou a precisão terapêutica.

Evidências atuais:

  • Ácido hialurônico: benefício moderado em casos leves a moderados
  • Corticoide: eficaz em fases inflamatórias agudas, mas efeito transitório
  • PRP: estudos mostram melhora clínica superior ao ácido hialurônico em pacientes selecionados, embora ainda haja heterogeneidade metodológica

O uso deve ser individualizado.

Ortobiológicos e terapias regenerativas

PRP, concentrado de medula óssea e fração vascular estromal (SVF) são objeto de intensa pesquisa.

Importante:

  • Resultados promissores em estágios iniciais
  • Evidência ainda em consolidação
  • Necessidade de padronização de protocolos

Sociedades médicas recomendam cautela e indicação criteriosa.

Preservação articular: o grande objetivo

Fortalecimento muscular como estratégia estrutural

Estudos mostram que pacientes com OA de joelho apresentam redução significativa da força do quadríceps.

A perda de força:

  • Aumenta sobrecarga articular
  • Acelera progressão radiográfica
  • Eleva risco de incapacidade

Programas de treinamento resistido supervisionado são recomendados como primeira linha pelas diretrizes internacionais.

Controle de peso e inflamação sistêmica

A obesidade é um dos maiores fatores de risco para progressão da OA.

Além da sobrecarga mecânica, o tecido adiposo produz adipocinas pró-inflamatórias que intensificam a degradação cartilaginosa.

Estudos mostram que:

  • Redução de 5–10% do peso corporal já melhora significativamente dor e função
  • Perda de peso associada a exercício é mais eficaz que dieta isolada

Intervenções minimamente invasivas antes da prótese

Em pacientes selecionados:

  • Osteotomias corretivas
  • Artroscopia em casos específicos
  • Terapias biológicas associadas

O objetivo é retardar a artroplastia total.

Quando indicar prótese?

A artroplastia permanece altamente eficaz, com taxas de satisfação superiores a 85–90%.

Indicação:

  • Dor refratária
  • Limitação funcional severa
  • Falha de tratamento conservador estruturado

A diferença é que hoje há mais opções antes de chegar à cirurgia.

Tendências reais para 2026

  • Medicina baseada em fenótipo inflamatório
  • Uso crescente de dados funcionais objetivos
  • Integração ortopedia + fisioterapia + nutrição
  • Foco em preservação articular precoce
  • Redução do uso indiscriminado de anti-inflamatórios

Conclusão prática para o consultório

A osteoartrite não é mais tratada como simples desgaste inevitável.

O manejo atual envolve:

  • Diagnóstico precoce
  • Controle inflamatório estratégico
  • Fortalecimento muscular estruturado
  • Intervenções minimamente invasivas baseadas em evidência
  • Preservação articular como prioridade

O ortopedista moderno atua de forma integrada, com foco funcional e metabólico.

Consulte seu médico!

O Portal da Ortopedia recomenda consultar um profissional especializado em caso de dúvidas sobre qualquer informação de nosso site.

Tags

Lesões

Últimos conteúdos