A osteoporose, condição que enfraquece os ossos e aumenta o risco de fraturas, tem deixado de ser um problema exclusivo das mulheres. Estudos recentes mostram que um em cada cinco homens acima dos 50 anos sofrerá uma fratura osteoporótica ao longo da vida — número que vem crescendo conforme a expectativa de vida masculina aumenta.
Mesmo assim, a maioria dos homens ainda não realiza exames preventivos e desconhece os sinais da doença, o que agrava os riscos de complicações e mortalidade.
O caso que chamou atenção
O dentista norte-americano Ronald Klein tinha 52 anos quando sofreu uma queda aparentemente leve de bicicleta. O acidente, que parecia banal, resultou em duas fraturas graves — no quadril e no ombro. Intrigado com a gravidade do caso, Klein realizou um exame de densitometria óssea e descobriu que tinha osteoporose avançada.
Após iniciar tratamento e fisioterapia, ele conseguiu se recuperar, mas o episódio serviu de alerta: a osteoporose também afeta homens saudáveis e ativos, especialmente a partir da meia-idade.
Homens vivem mais — e fraturam mais
De acordo com a médica Cathleen Colon-Emeric, pesquisadora da Universidade Duke (EUA), o aumento dos casos está diretamente ligado à longevidade masculina:
Os homens estão vivendo o suficiente para desenvolver osteoporose, mas continuam subdiagnosticados. Quando fraturam, costumam ter piores desfechos que as mulheres.
Estudos apontam que as taxas de mortalidade entre homens após uma fratura de quadril chegam a 30% no primeiro ano, além de altas chances de perda de mobilidade e dependência.
O problema do subdiagnóstico
Em pesquisa realizada com mais de 3.000 veteranos entre 65 e 85 anos nos Estados Unidos, apenas 2% haviam feito exame de densidade óssea, mesmo com o exame gratuito.
Quando foi criado um serviço especializado de acompanhamento, quase metade (49%) dos pacientes aceitou realizar o teste — e metade deles recebeu diagnóstico de osteoporose ou osteopenia, indicando a urgência de programas de rastreamento voltados aos homens.
O endocrinologista Douglas Bauer, da Universidade da Califórnia, classificou os dados como “chocantemente baixos”:
Ainda há a percepção errada de que osteoporose é uma doença feminina. Isso atrasa diagnósticos e coloca vidas em risco.
Por que os homens ignoram o risco?
Especialistas apontam três motivos principais:
- Cultura de negação do risco — Muitos homens acreditam que ossos frágeis são “coisa de mulher”.
- Falta de diretrizes claras — As principais entidades médicas divergem sobre quando começar o rastreamento masculino.
- Ausência de cobertura dos planos de saúde — Em vários países, exames preventivos ainda não são reembolsados, a menos que já exista fratura.
Como consequência, a osteoporose masculina segue invisível, e o diagnóstico só acontece após a primeira fratura.
Fatores de risco e prevenção
Entre os fatores que mais contribuem para o enfraquecimento ósseo estão:
- Idade acima de 50 anos;
- Tabagismo e consumo excessivo de álcool;
- Uso prolongado de corticoides ou medicamentos para câncer de próstata;
- Sedentarismo e baixo consumo de cálcio e vitamina D;
- Histórico familiar de fraturas.
A prevenção inclui prática regular de exercícios físicos, alimentação rica em cálcio e proteínas, exposição solar adequada e acompanhamento médico periódico.
O exame DXA (densitometria óssea) é o principal método diagnóstico, disponível em clínicas e hospitais por valores acessíveis — e essencial para identificar a doença antes que ocorram fraturas.
Tratamento e qualidade de vida
O tratamento depende do grau da perda óssea e pode incluir:
- Medicamentos que fortalecem os ossos (como Fosamax, Actonel ou Prolia);
- Suplementos de cálcio e vitamina D;
- Mudanças de hábitos e fisioterapia.
Com o diagnóstico e tratamento corretos, o homem pode melhorar a densidade óssea e reduzir o risco de fraturas fatais, prolongando a qualidade e a expectativa de vida.
Segundo o Dr. Bauer.
O avanço da osteoporose entre os homens é um alerta silencioso. A falsa ideia de que a doença é exclusiva das mulheres tem custado diagnósticos tardios e complicações evitáveis. Especialistas defendem campanhas de conscientização e rastreamento preventivo para o público masculino, especialmente após os 50 anos.
Fonte: The New York Times, Universidade Duke, Universidade da Califórnia em San Francisco, JAMA Internal Medicine.