A expressão “panturrilha como segundo coração” encontra respaldo na literatura científica: a função de bombeamento da musculatura da panturrilha — principalmente os músculos gastrocnêmio e sóleo — auxilia o retorno do sangue das extremidades inferiores ao coração, vencendo a gravidade.
Como isso funciona?
Estudos apontam que a “bomba muscular da panturrilha” (calf muscle pump) está envolvida no retorno venoso das pernas, contribuindo para o volume de sangue que retorna ao coração (preload) e, potencialmente, para o débito cardíaco.
Por exemplo: um estudo de 2020 concluiu que a função comprometida da bomba muscular da panturrilha está associada a menor sobrevida em adultos mais velhos.
Outro, conduzido no Brasil, analisou os efeitos do treinamento exercido sobre a bomba da panturrilha em pacientes com insuficiência venosa crônica e encontrou melhorias na função venosa e qualidade de vida.
Por que isso importa para você?
Quando os músculos da panturrilha ficam pouco ativos — por sedentarismo, longos períodos sentado ou apoiado — a ação da bomba muscular diminui. Isso favorece a estase do sangue (acúmulo venoso), o que pode levar a sintomas como inchaço nas pernas, sensação de peso, varizes ou até risco aumentado de trombose venosa.
Do outro lado, a ativação regular desses músculos — por meio de caminhadas, subir escadas, exercícios de ponta de pé — ajuda a impulsionar o retorno venoso, melhora a circulação e reduz riscos associados à insuficiência venosa.
O que fazer?
Com base nas evidências:
- Mantenha-se em movimento: caminhe, suba escadas ou faça exercícios que recrutem a panturrilha com frequência.
- Evite longos períodos sentado ou em pé sem caminhar: a musculatura precisa de contrações repetidas para exercer a função de “bomba”.
- Fortaleça conscientemente: o treinamento de força da panturrilha mostrou bons resultados para melhorar a função venosa e qualidade de vida em pessoas com insuficiência venosa.
A musculatura da panturrilha não é apenas estética — está integradamente ligada à circulação e à saúde vascular. A ciência confirma que ela age como um “auxiliar do coração”, impulsionando o sangue de volta ao coração e reduzindo estagnações venosas. Ignorar essa função pode comprometer a circulação; valorizar o movimento da panturrilha é valorizar a saúde das pernas — e do corpo inteiro.