O pé torto congênito (PTC) é a deformidade ortopédica mais comum na infância, com uma incidência estimada de 1 a cada 1.000 nascimentos. No Brasil, cerca de 4 mil crianças nascem com essa condição todos os anos. Caracterizado pelo pé virado para dentro e para baixo, o PTC pode afetar um ou ambos os pés e, se não tratado adequadamente, compromete a mobilidade e o bem-estar da criança.
Felizmente, com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, os resultados são altamente positivos. A condição pode ser identificada já durante a gestação, a partir do terceiro mês, por meio da ultrassonografia, o que permite iniciar o planejamento terapêutico ainda durante o pré-natal.
Método de Ponseti: referência mundial no tratamento
Atualmente, o método de Ponseti é considerado o padrão-ouro no tratamento do pé torto congênito. Reconhecido por sua alta taxa de sucesso e por evitar cirurgias complexas, o método é baseado em três etapas principais:
- Gessos seriados – Correção progressiva do pé com gessos trocados semanalmente, por cerca de 4 a 6 semanas.
- Tenotomia – Procedimento cirúrgico minimamente invasivo para alongar o tendão de Aquiles, fundamental para completar a correção.
- Órtese de abdução – Após a correção, a criança deve usar uma órtese (botinhas com barra) por vários meses, principalmente durante o sono, para evitar recidivas e manter o alinhamento corrigido.
Resultados e benefícios
O tratamento com o Método de Ponseti proporciona pés funcionais, alinhados e com aparência natural. Quando seguido corretamente, ele permite que a criança leve uma vida ativa e sem restrições, evitando intervenções cirúrgicas maiores no futuro.
Além do benefício físico, o tratamento adequado reduz impactos sociais e psicológicos, prevenindo dificuldades de locomoção, exclusão escolar e baixa autoestima.
Com informação e tratamento no tempo certo, o pé torto congênito deixa de ser uma limitação e passa a ser apenas uma fase superada da infância.
Atenção aos pais
É fundamental que pais e responsáveis fiquem atentos ao diagnóstico e sigam o tratamento com rigor, especialmente na fase do uso da órtese. A adesão é um dos principais fatores para o sucesso a longo prazo e para evitar recidivas.
Centros especializados, como clínicas de ortopedia pediátrica e hospitais de referência, já oferecem o método com profissionais capacitados e apoio multidisciplinar.