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Por que o Brasil ainda não tem um prontuário eletrônico único?

Desafios políticos, culturais e de infraestrutura ainda impedem a integração digital completa do sistema de saúde brasileiro, apesar dos avanços tecnológicos e iniciativas pontuais.

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A integração dos dados de saúde dos brasileiros — o chamado prontuário eletrônico unificado — ainda é uma realidade distante no país, apesar da tecnologia já estar disponível. Especialistas afirmam que o maior obstáculo não é técnico, mas político, cultural e de adesão por parte dos diferentes atores do sistema de saúde, como SUS, hospitais, clínicas, laboratórios e operadoras.

Segundo Andrey Abreu, diretor corporativo de tecnologia da MV, empresa brasileira de soluções para saúde, a interoperabilidade — capacidade de diferentes sistemas trocarem informações de forma segura e padronizada — é o principal desafio.

Hoje, os dados estão fragmentados. O paciente tem partes de seu histórico espalhadas por diferentes instituições, que não se comunicam.

Explica.

Experiências isoladas

No Brasil, já existem exemplos pontuais de integração. Em Goiás, 34 hospitais estaduais compartilham exames e históricos clínicos em tempo real. Belo Horizonte integra 400 unidades de saúde. A Unimed Sorocaba oferece jornada totalmente digital, do atendimento à compra de medicamentos.
Apesar disso, o país ainda não tem um sistema nacional que conecte todos os serviços de saúde.

Principais barreiras

  • Conectividade insuficiente em regiões remotas
  • Fragmentação institucional: mais de 5.000 hospitais com diferentes níveis de maturidade digital
  • Resistência de profissionais à tecnologia
  • Disputa sobre posse dos dados: pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), eles pertencem ao paciente, que deve autorizar o compartilhamento

Open Health e regulação

O conceito de Open Health, inspirado no Open Banking, permitiria que dados de saúde fossem compartilhados entre instituições mediante autorização do paciente. A tecnologia para isso já existe, mas falta regulamentação nacional robusta que obrigue a adoção de padrões de integração.

O papel da inteligência artificial

A MV já utiliza IA para apoiar diagnósticos e agilizar registros médicos. Durante a pandemia, sistemas chegaram a identificar casos de covid-19 com 97% de precisão a partir de imagens pulmonares.
O uso de IA nos prontuários permite desde a transcrição automática de laudos até alertas sobre interações perigosas de medicamentos. No entanto, a eficácia depende de dados de qualidade e devidamente padronizados.

Perspectivas

Para Abreu, o prontuário eletrônico, como é hoje, tende a desaparecer.

No futuro, o médico não vai preencher telas; vai conversar, e a IA registrará e organizará tudo. A barreira da tecnologia vai sumir.

Afirma.

A MV aposta na interoperabilidade como caminho central, investindo em integração de dados e projetos com grandes hospitais no Brasil e no exterior. Segundo ele, o SUS tem potencial para se tornar referência mundial em saúde digital — desde que haja conectividade e vontade política.

Créditos: Matéria adaptada a partir de conteúdo da UOL. Versão original disponível em:
https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2025/07/27/todos-os-seus-dados-de-saude-num-mesmo-lugar-utopia-ou-possibilidade.htm

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