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Lesão SLAP no ombro: quem costuma ter e quando a cirurgia é considerada?

Mais comum em esportes e atividades com movimentos repetidos acima da cabeça, a lesão SLAP nem sempre exige cirurgia — e até a ressonância precisa ser interpretada com cautela.

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A lesão SLAP atinge a parte superior do labrum do ombro, próxima à inserção do tendão do bíceps. Pode surgir após uma queda ou pelo esforço repetitivo acima da cabeça, sobretudo em atletas. Dor profunda, estalos dolorosos e perda de desempenho estão entre os sinais, mas nem toda lesão encontrada na ressonância precisa ser operada.

Um saque no tênis. Um arremesso. Uma barra levantada acima da cabeça. Ou, ainda, uma queda com o braço estendido.

Situações tão diferentes podem produzir sobrecarga na mesma região do ombro: o ponto em que o labrum superior encontra o tendão da cabeça longa do bíceps.

É ali que acontece a chamada lesão SLAP — sigla em inglês para Superior Labrum Anterior to Posterior.

Embora seja bastante conhecida entre atletas, o diagnóstico exige cuidado. Afinal, um estalo no ombro não é suficiente para confirmar a lesão. E uma ressonância alterada também não conta toda a história.

Quando o ombro começa a perder desempenho

O labrum é um anel de tecido que acompanha a borda da glenoide. Além de ajudar na estabilidade do ombro, sua porção superior serve de ponto de fixação para o tendão do bíceps.

Quando essa região sofre uma lesão, o sintoma nem sempre aparece como uma dor forte e bem localizada.

Em muitos casos, o paciente descreve uma dor profunda dentro do ombro, que surge principalmente nos movimentos acima da cabeça. Também podem aparecer estalos dolorosos, sensação de travamento e queda de desempenho.

Por isso, esportes de arremesso chamam atenção. Beisebol, vôlei, tênis e outras modalidades que exigem movimentos repetidos acima da cabeça expõem essa região a cargas elevadas.

Mas atletas não são os únicos afetados. Levantamento de peso, atividades profissionais repetitivas e traumas também podem estar envolvidos.

O estalo sozinho não fecha o diagnóstico

Um dos desafios da lesão SLAP é que seus sintomas se confundem com os de outros problemas do ombro.

Dor ao elevar o braço pode aparecer em alterações do manguito rotador. Estalos também podem ocorrer sem doença. Já a sensação de que o ombro está saindo do lugar pode apontar para instabilidade.

Por isso, alguns sinais ganham mais valor quando aparecem juntos:

O que o paciente percebeO que merece investigação
Dor profunda ao arremessarLabrum e bíceps
Estalo acompanhado de dorLesões intra-articulares
Perda de força ou desempenhoManguito, bíceps e labrum
Ombro “saindo do lugar”Instabilidade e outras lesões labrais
Dor após queda com braço estendidoLesão traumática

A história do problema e o exame físico são fundamentais para separar essas possibilidades.

Até a ressonância precisa ser interpretada no contexto

Quando existe suspeita de lesão do labrum, a ressonância magnética pode fazer parte da investigação. Em alguns casos, técnicas com contraste intra-articular também são utilizadas para aumentar a visualização dessas estruturas.

No entanto, existe uma armadilha importante: encontrar uma alteração no labrum não significa automaticamente encontrar a causa da dor.

Um estudo com pessoas de 45 a 60 anos que não tinham dor no ombro encontrou alta frequência de imagens interpretadas como lesões do labrum superior. Os autores reforçaram que esses achados podem fazer parte de alterações relacionadas à idade e não devem, isoladamente, levar a uma indicação de tratamento.

Isso ajuda a explicar por que a decisão precisa combinar:

sintomas + exame físico + imagem + perfil do paciente.

Tratar apenas o laudo pode levar a intervenções desnecessárias.

Cirurgia não costuma ser o primeiro passo

Receber o diagnóstico de lesão SLAP também não significa sair da consulta com uma cirurgia marcada.

Na maioria dos pacientes, o tratamento inicial é conservador. A reabilitação busca recuperar mobilidade, força do manguito rotador e controle da escápula, além de corrigir déficits que aparecem durante os movimentos acima da cabeça.

A resposta ao tratamento ajuda a orientar o próximo passo.

Se a dor diminui e a função volta, muitas pessoas conseguem retomar suas atividades sem cirurgia.

Já a discussão cirúrgica ganha espaço quando os sintomas persistem apesar de uma reabilitação adequada, especialmente quando há limitação importante para trabalhar ou praticar esporte.

E quando operar, qual cirurgia é feita?

Não existe uma única cirurgia para todas as lesões SLAP.

Uma opção é o reparo do labrum, no qual a estrutura é novamente fixada ao osso por artroscopia.

Outra possibilidade é a tenodese do bíceps. Nesse procedimento, o tendão da cabeça longa do bíceps é retirado de sua fixação superior no labrum e preso em outro ponto do úmero.

A escolha não depende apenas de “qual cirurgia é melhor”. Entram na decisão fatores como idade, atividade esportiva, tipo de lesão, qualidade do tecido, envolvimento do tendão do bíceps e expectativas do paciente.

Esse cuidado é especialmente importante entre atletas de arremesso.

Uma revisão sistemática recente mostrou que o retorno ao esporte após reparo do labrum é possível, mas os resultados variam conforme a modalidade. Atletas que realizam movimentos repetitivos acima da cabeça tendem a ter mais dificuldade para retornar exatamente ao mesmo nível de desempenho anterior.

Portanto, o objetivo não é simplesmente “consertar a imagem”. É recuperar um ombro capaz de atender às necessidades daquela pessoa.

O que deve levar alguém a procurar avaliação?

Dor persistente durante atividades acima da cabeça merece atenção, principalmente quando começa a reduzir força ou desempenho.

Também vale procurar um ortopedista quando surgem estalos acompanhados de dor, travamento, dificuldade para realizar movimentos que antes eram normais ou sintomas após uma queda.

A investigação se torna ainda mais importante quando o problema interfere no esporte ou no trabalho.

Em muitos casos, o diagnóstico correto evita dois erros opostos: deixar uma lesão relevante sem tratamento ou transformar uma alteração de ressonância em cirurgia sem necessidade.

Perguntas frequentes

Lesão SLAP sempre causa estalo?

Não. Estalos podem aparecer, principalmente quando são dolorosos, mas algumas pessoas apresentam apenas dor profunda ou perda de desempenho.

Lesão SLAP sempre precisa de cirurgia?

Não. O tratamento conservador costuma ser a primeira opção em muitos casos. A cirurgia é avaliada quando os sintomas persistem ou quando o perfil da lesão e do paciente justifica a intervenção.

Quem tem lesão SLAP pode voltar ao esporte?

Sim, mas o resultado depende da modalidade, do tipo de tratamento e das exigências esportivas. Atletas de arremesso podem enfrentar maior dificuldade para retornar ao mesmo nível competitivo.

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Referências

  1. Hospital for Special Surgery. SLAP Tear: Symptoms and Treatment.
  2. Nikhil N. Verma et al. SLAP Tears: Treatment Algorithm.
  3. Schwartzberg R. et al. High Prevalence of Superior Labral Tears Diagnosed by MRI in Middle-Aged Patients With Asymptomatic Shoulders.
  4. Return to Play After Arthroscopic Superior Labral Repair: A Systematic Review.
  5. Biceps Tenodesis and SLAP Repair in Overhead Throwing Athletes: A Systematic Review.

Aviso médico

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta ou diagnóstico profissional. Dor persistente, perda de força, travamento ou limitação do ombro devem ser avaliados individualmente.

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