A tendinite de de quervain é uma condição inflamatória que afeta os tendões responsáveis pelos movimentos do polegar, causando dor, inchaço e dificuldade funcional. Bastante comum em adultos ativos, trabalhadores que realizam movimentos repetitivos com as mãos e também em mulheres no período pós-parto, a doença exige diagnóstico precoce e tratamento adequado para evitar cronificação.
Nos últimos anos, além das abordagens conservadoras tradicionais, a terapia por ondas de choque passou a ser considerada uma alternativa não cirúrgica promissora, especialmente nos casos persistentes.
O que é a tendinite de De Quervain?
A tendinite acomete dois tendões localizados no lado radial do punho — o abdutor longo do polegar e o extensor curto do polegar. Esses tendões passam por um compartimento estreito e, quando inflamados ou espessados, encontram dificuldade para deslizar, gerando dor e limitação.
Entre as principais causas estão:
- Movimentos repetitivos do polegar e do punho
- Uso excessivo de celulares, mouse e ferramentas manuais
- Sobrecarga mecânica sem tempo adequado de recuperação
- Alterações hormonais, especialmente no pós-parto
- Inflamações crônicas
Principais sintomas
Os sinais mais comuns incluem:
- Dor na base do polegar, que pode irradiar para o antebraço
- Inchaço local
- Sensibilidade ao toque
- Dificuldade para segurar objetos ou realizar movimentos de pinça
- Dor ao realizar o teste de Finkelstein
Tratamento conservador: a primeira linha de cuidado
Na maioria dos casos, o tratamento é inicialmente não cirúrgico. As abordagens tradicionais incluem:
- Repouso relativo e modificação das atividades
- Uso de órtese ou tala para imobilização parcial do polegar
- Aplicação de gelo para controle da inflamação
- Medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios, quando indicados
- Fisioterapia, com foco em controle da dor, mobilidade e reeducação funcional
Quando essas medidas não produzem melhora satisfatória após algumas semanas, outras estratégias podem ser consideradas.
Terapia por ondas de choque: uma opção não cirúrgica em ascensão
A terapia por ondas de choque extracorpóreas (ESWT) tem ganhado espaço no tratamento de tendinopatias crônicas, incluindo a tendinite de de quervain.
O método utiliza ondas acústicas de alta energia aplicadas diretamente na região afetada, promovendo efeitos biológicos importantes, como:
- Estímulo à regeneração do tecido tendíneo
- Aumento da circulação local
- Redução da dor por modulação neurossensorial
- Diminuição de processos inflamatórios crônicos
- Melhora da função e da mobilidade do polegar
Trata-se de um procedimento não invasivo, realizado em consultório, geralmente em poucas sessões, sem necessidade de anestesia ou afastamento prolongado das atividades.
Quando a terapia por ondas de choque é indicada?
A terapia por ondas de choque costuma ser indicada em situações como:
- Dor persistente apesar do tratamento conservador tradicional
- Tendinite de caráter crônico
- Pacientes que desejam evitar infiltrações ou cirurgia
- Falha parcial da fisioterapia isolada
Os melhores resultados são observados quando a técnica é integrada a um programa fisioterapêutico individualizado.
Cirurgia: quando é necessária?
A cirurgia é reservada para uma minoria dos casos, geralmente quando:
- Há falha de todas as abordagens conservadoras
- A dor é intensa e incapacitante
- Existe limitação funcional importante e persistente
Com o avanço de terapias não invasivas, como as ondas de choque, muitos pacientes conseguem controlar os sintomas sem necessidade de procedimento cirúrgico.
O tratamento da tendinite de de quervain evoluiu significativamente nos últimos anos. Além das medidas conservadoras clássicas, a terapia por ondas de choque surge como uma alternativa segura e eficaz, ampliando as opções não cirúrgicas e reduzindo o risco de cronificação da dor.
A avaliação precoce e a escolha do tratamento adequado são fundamentais para preservar a função da mão e a qualidade de vida do paciente.