A tendinite é uma das principais causas de dor musculoesquelética e limitação funcional em adultos ativos e idosos. Tradicionalmente tratada com repouso, medicamentos e fisioterapia, a condição passou a contar, nos últimos anos, com uma abordagem não cirúrgica que vem mudando o manejo dos casos persistentes: a terapia por ondas de choque.
Indicada especialmente para quadros crônicos ou de difícil resolução, essa tecnologia tem sido incorporada à prática ortopédica e fisioterapêutica como uma alternativa eficaz antes de qualquer indicação cirúrgica.
O que é a tendinite?
A tendinite é a inflamação — ou, em muitos casos, a degeneração — de um tendão, estrutura responsável por ligar o músculo ao osso. Ela surge, principalmente, por sobrecarga mecânica repetitiva, má biomecânica, envelhecimento dos tecidos e recuperação inadequada após esforço físico.
Com o tempo, o tendão perde capacidade de regeneração espontânea, o que explica por que alguns pacientes não melhoram apenas com repouso e medicação.
Quando o tratamento convencional não é suficiente
Nos estágios iniciais, a tendinite costuma responder bem a medidas conservadoras como:
- Repouso relativo
- Gelo e controle da inflamação
- Medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios
- Fisioterapia com foco em mobilidade e fortalecimento
No entanto, quando a dor persiste por mais de 6 a 12 semanas, o quadro geralmente deixa de ser apenas inflamatório e passa a ter caráter degenerativo (tendinose). É nesse cenário que a terapia por ondas de choque ganha destaque.
O que é a terapia por ondas de choque?
A terapia por ondas de choque extracorpóreas (ESWT) utiliza ondas acústicas de alta energia aplicadas diretamente sobre o tendão lesionado. Essas ondas não quebram tecidos, nem causam danos estruturais — ao contrário, estimulam processos biológicos de reparo.
Entre seus principais efeitos estão:
- Estímulo à neovascularização (formação de novos vasos sanguíneos)
- Aumento da atividade celular responsável pela regeneração do tendão
- Redução da dor por modulação neurossensorial
- Reorganização das fibras de colágeno
Trata-se de um tratamento não invasivo, realizado em consultório, sem necessidade de anestesia ou afastamento prolongado das atividades.
Para quais tipos de tendinite as ondas de choque são indicadas?
A terapia por ondas de choque é amplamente utilizada em casos como:
- Tendinite do manguito rotador (ombro)
- Tendinite patelar (joelho do saltador)
- Tendinite do calcâneo e fascite plantar
- Epicondilite lateral (cotovelo de tenista)
- Tendinite do Aquiles
É especialmente indicada quando o paciente não responde bem à fisioterapia convencional ou apresenta dor recorrente.
Como é o tratamento na prática?
O protocolo costuma envolver:
- 3 a 5 sessões
- Intervalos semanais ou quinzenais
- Aplicação localizada, guiada por exame clínico ou imagem
Durante a sessão, o paciente pode sentir um desconforto leve a moderado, que é transitório. Não há cortes, injeções ou necessidade de repouso absoluto após o procedimento.
Ondas de choque substituem a fisioterapia?
Não. A abordagem mais eficaz é combinada.
A terapia por ondas de choque potencializa os resultados da fisioterapia ao preparar o tecido para responder melhor aos exercícios de fortalecimento, mobilidade e correção biomecânica. O tratamento isolado tende a ser menos eficaz do que o protocolo integrado.
Cirurgia: quando realmente é necessária?
A cirurgia para tendinite é hoje considerada exceção. Ela fica restrita a casos com:
- Rupturas extensas
- Falha comprovada de múltiplas abordagens conservadoras
- Limitação funcional importante e persistente
Com o avanço de tecnologias como as ondas de choque, muitos pacientes conseguem evitar procedimentos invasivos e retornar às atividades com segurança.
A terapia por ondas de choque representa um avanço importante no tratamento não cirúrgico da tendinite. Segura, eficaz e baseada em evidência científica, ela amplia as opções terapêuticas e reduz a necessidade de intervenções invasivas.
Diante de dor persistente nos tendões, a avaliação precoce e o acesso a abordagens modernas fazem toda a diferença no prognóstico.