Para os organizadores e preceptores, o simulado representa muito mais do que uma simples revisão de conteúdo.
Acho que simulado é uma forma do residente se preparar para como é o ambiente da prova. Na parte prática, sabe que essas provas práticas muitas vezes… o nervosismo, a falta de hábito de treinar é uma coisa que dificulta muito.
A gente se esforça muito para que o simulado possa refletir para os residentes a realidade próxima que eles vão encontrar na prova. Então esse é um treinamento em que o aluno tem a oportunidade de vivenciar um contato com questões que provavelmente estarão na prova de forma muito semelhante e também com os examinadores.
Dr. Marco Lages reforça a importância do treinamento para lidar com a carga emocional:
A prova de título da SBOT, o TEOT, ele carrega uma carga emocional muito grande, se o residente não está preparado na hora de falar em público, de falar da forma certa, do roteiro certo, princípio, meio e fim, com convicção, muitas vezes ele sabe a matéria e não vai bem na prova, especialmente na prova oral de exame físico e de prática, porque ele fica nervoso na hora.
A perspectiva dos candidatos
Entre os participantes, Isabela Feres, residente do terceiro ano (R3), compartilha sua estratégia de preparação:
A gente vem se preparando bastante. Desde o R1 a gente já está tentando se preparar para o TEOT, porque a gente sabe que é uma prova que demanda uma carga de conhecimento grande, tem um peso importante na nossa formação. Agora nesse final da R3 a gente intensifica mais ainda os estudos.
Para Isabela, a parte prática representa o maior desafio:
Acho que vai ser a prova prática. Acho que a prática vai ser mais desafiadora. Porque tem um tempo curto e a gente vai tentar mostrar as habilidades, por exemplo, parte de habilidades. A gente vai precisar fazer e realizar tudo num tempo curto e sob avaliação.
A participação no intensivão trouxe surpresas positivas.
Eu gostei muito dessa parte de habilidades que a gente teve no segundo momento, da manhã. Porque para a gente, no meu serviço por exemplo, a gente não tem muito esse instrumental, esses ossos de plástico e tudo, então a gente não treinou muito isso.
Revela a residente.
Dr. José Alves, ortopedista mas que busca também o título pela SBOT, define a prova oral como seu maior desafio:
A parte de habilidades e até a própria prova teórica inicial é difícil, mas passando por essa primeira fase, a parte mais desafiadora, para mim, imagino ser a prova oral.
Sobre o evento, ele destaca a organização:
Sim, é bem organizado, tudo dentro de um tempo, abordando até agora os temas que foram propostos. Está seguindo o roteiro, muito bom.
Os desafios específicos da prova
Um consenso entre os preceptores é que, paradoxalmente, os temas mais simples e cotidianos costumam causar mais dificuldades. Dr. Gabriel Araújo observa:
Eu vejo que geralmente os candidatos têm mais dificuldades com questões que estão relacionadas a temas do dia a dia. Os temas que aparentemente são mais simples são aqueles que os alunos se enrolam mais no dia da prova. Vejo que temas simples como a fratura do tornozelo, a fratura do rádio, uma síndrome de Túnel do Carpo, são questões que lá na prova o aluno se enrola porque na maior parte das vezes ele não se dedicou o suficiente ao estudo ou preparo para aquela questão simplesmente porque faz parte tão grande do convívio dele que ele não faz um treinamento específico para responder essas questões.
Os residentes acabam sendo mais cobrados, o grau de dificuldade nas perguntas é maior nos temas mais básicos, então vejo que eles acabam perdendo muitos pontos em temas que são considerados fáceis, que eles acham que sabem, mas são temas que o examinador vai muito mais além.
Para Dr. Bernardo Gribel, especialista em ombro, as habilidades específicas representam desafios adicionais:
Acredito que muitos residentes não têm o hábito de conviver com algumas habilidades específicas como artroscopia, prótese, isso aí dificulta muito caso eles tenham que praticar na prova. Então a gente sabe que uma prótese de ombro, uma artroscopia de ombro, muitas vezes o residente não tem aquela naturalidade com o procedimento.
Dr. Rainerio Nobre enfatiza a importância de focar em áreas específicas:
Eu acho, assim, que o TEOT tem uma sequência, né? Ele tem uma carga quantitativa de questões de trauma, pediatria, que eu acho que para quem não gosta muito desses assuntos, tem que focar para a prova. Eu acho que a parte de anatomia, principalmente quando você não gosta do assunto, também acho que fica um pouco difícil.
O papel fundamental dos preceptores
Os preceptores desempenham um papel que vai muito além da simples transmissão de conhecimento. Dr. Bernardo Gribel explica:
Acho que papel é justamente esse, né? Você está ali junto, você poder passar a sua experiência, você mostrar como faz, tranquilizar eles e o que o examinador quer ouvir. Você já teve lá no teórico, já fez a prova, já participou como examinador, você consegue passar isso melhor para eles, que ele precisa falar, quais são as palavras-chaves, quais são as dicas, para ele conseguir, o examinador entender que ele está sabendo bem, que ele sabe sob tempo.
A Comissão de Ensino da SBOT RJ se dedica há décadas a preparar o aluno para a prova. Nesse processo, os próprios membros da comissão vão se preparando cada vez mais para a prova e tendo contato com esses temas durante todos os anos. Faz com que os preceptores tenham uma maturidade muito grande em relação à prova e à forma de conduzir as questões.
Dr. Paulo Di Tullio ressalta a impossibilidade do autodidatismo na medicina:
Eles não são autodidatas, o residente na medicina é muito difícil, não tem como você ser autodidata, então a presença dos preceptores, passando a experiência, a visão de cada um deles, é fundamental, até porque lá você não é avaliado por um robô que examina todo mundo da mesma forma, com o mesmo critério.
Reconhecendo o residente preparado
Quando questionados sobre como identificar um candidato pronto para a prova, os preceptores convergem para aspectos que vão além do conhecimento técnico. Dr. Bernardo Grippel aponta:
Acho que a segurança, a naturalidade que ele fala aquilo, aquele tema não só é estranho para ele, tem alguns temas realmente não são comuns e aquilo só é coisa natural para ele. Eu acho que o principal é isso.
A segurança com que ele passa as informações. A segurança mostra não só que ele sabe a matéria, mas como ele sabe como passar a informação e ele já está em condição não só de agir, mas também de passar a informação para outros, para residentes R2, R1, para acadêmicos.
Como qualquer prova, não basta só estudar, a pessoa tem que estar pronta na forma da postura e da forma de lidar com aquele momento. Quando vocês fizeram o vestibular para medicina ou a própria prova para residência médica, não bastou só o conhecimento, mas tem também um preparo emocional, um preparo de postura. E para essa prova é a mesma coisa.
Geralmente, quando você vê que o residente tem um domínio do assunto, por mais que ele não tenha um domínio perfeito do assunto, mas ele já tem um domínio da prova, ele geralmente consegue falar fluentemente no assunto, ele já consegue dominar o assunto, consegue conduzir a prova na parte que ele mais domina.
Fortalecendo a ortopedia no Rio de Janeiro
O evento também representa um momento importante de integração e fortalecimento da ortopedia fluminense. Dr. Gabriel Araújo ressalta:
Eu acredito que sim. Acho que a ortopedia do Rio de Janeiro é uma das maiores regionais do nosso país. E os cursos são momentos de integração, não só entre os médicos que já fazem a especialidade no Estado, como aqueles que desejam ser. Então é um momento de encontro dos amigos, de troca de informações para aqueles que já estão há mais tempo e também uma forma de inspirar os mais novos.
A gente está revendo aqui diversos colegas que a gente tem há mais tempo. Essa interação entre nós, entre os diferentes serviços, entre colegas que acabam se separando por um motivo ou outro profissional. Isso é fundamental, porque favorece também a abertura de portas, a conversa, a troca de experiência, o aprendizado entre um e outro.
Você vê uma sociedade mais atuante, você junta, você aproxima o residente da SBOT, da sociedade, ele passa a frequentar mais, ele conhece as pessoas, conhece os médicos, faz amizade, já tem um conhecimento, não fica tão distante, e você vendo que a sociedade de ortopedia atua, ajuda, você acaba naturalmente fortalecendo, sim, a ortopedia.
O Rio de Janeiro tem uma alta aprovação, além de a gente ter o melhor instituto de ortopedia do país. A gente tem uma formação muito boa aqui de ortopedistas. Então, a SBOT RJ vem sendo pioneira e forte nessa preparação de estudantes e alunos, é tanto que isso repercute na aprovação alta que a gente tem há muito tempo.
Conselhos para a reta final
Com a prova se aproximando, os preceptores deixaram orientações valiosas para os candidatos. Dr. Bernardo Grippel é direto:
O principal agora é praticar. Não tem jeito, é treinar, treinar, treinar. Você já estudou e está estudado, mas é repetição. Você treinar o que você vai falar, você treinar em fazer questão, você treinar a falar o que você quer falar na hora da prova pra você, na hora, conseguir sair bem.
Estudem. Quando eu digo estudem, lembrem na hora da prova que todas as pessoas que estão ali examinando são preceptores e querem que os seus alunos sejam aprovados, dedicam sua vida a isso. São pessoas que saem de casa em janeiro, fevereiro, março para poder dedicar ao ensino. Ninguém ali tem o objetivo de reprovar, mas sim de aprovar as pessoas.
Calma, calma, não perca o foco. O residente que está chegando aqui nessa reta final, ele com certeza já teve três anos para estudar, então não tem mais matéria para se aprender propriamente dita, tem a matéria para ser reforçada, especialmente as que ele viu menos, as que ele teve menos integração ao longo desses três anos.
O conselho agora é revisar os temas que ele está mais… você não vai conseguir estudar tudo agora, nessa brevidade da prova é focar em poucos pontos que ele acha que está com alguma dificuldade, relembrar classificações, não tem jeito, tem que estar sempre relembrando para não confundir, e treinar, fazer um treinamento na prática mesmo, porque o conhecimento já foi adquirido.
Meu conselho agora é tentar relaxar o máximo que der, treinar questões, fazer bastante questão, simulado, fazer bastante questão simulado, ficar treinando questões e treinar a prova oral. Prova oral, anatomia, ficar tentando, chama alguém, uma namorada, um amigo, conversa com outro residente, ficam se testando.
Conselhos para os futuros residentes
Para aqueles que estão iniciando a residência, os conselhos também foram valiosos. Isabela, que pretende seguir ortopedia pediátrica, aconselha:
Tentar aproveitar bastante desde o R1. Tentar colocar, à medida que a gente vai atendendo paciente, tanto no pronto-socorro quanto nos ambulatórios, tentar colocar e ver os assuntos mesmo daquele paciente como um todo. Pra gente ir revisando e aprendendo desde o início, fica mais fácil no final.
Dr. José Alves, que já passou pela residência e agora busca o título da SBOT, reflete:
Estude desde o início, aproveite cada minuto visando a prova do SBOT no final. Acho que essa coisa tem que ser bem dimensionada, porque o tempo é curto, são apenas três anos, e a gente acaba que o primeiro ano é muito trabalho, R1, puxação de serviço, no R2 você espera muito, no terceiro ano aí sobra para estudar. Eu acho que não deve ser assim, se eu fosse começar hoje de novo, começaria no primeiro dia. Eu acho que no final isso faz uma diferença grande.
Acho que a diferença do simulado da SBOT RJ, para muitos outros que existem por aí, é justamente a gente ter examinadores do TEOT, de longa data, participando desse curso.
Com aprovações consistentemente altas e uma tradição de excelência na formação de ortopedistas, a Regional Rio de Janeiro da SBOT se consolida como referência nacional na preparação para o título de especialista. O intensivão de janeiro de 2026 demonstrou que, por trás dos números de aprovação, existe um trabalho dedicado de preceptores comprometidos com a formação de novos especialistas e com o fortalecimento da ortopedia brasileira.
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