A dor no joelho causada pela artrose é uma das principais queixas nos consultórios de ortopedia. Com o envelhecimento da população e o aumento da prática esportiva, cada vez mais pessoas convivem com limitação de movimento, inchaço e dificuldade para realizar atividades simples do dia a dia.
Durante muito tempo, as opções de tratamento se resumiam a medicamentos, fisioterapia e, nos casos mais avançados, cirurgia. Hoje, no entanto, novas terapias não invasivas vêm ganhando espaço como alternativas para aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Entre elas, destacam-se a radioterapia em baixa dose (LDRT) e a embolização das artérias geniculares.
O que é a artrose no joelho?
A artrose, também chamada de osteoartrite, é uma doença caracterizada pelo desgaste progressivo da cartilagem que reveste as articulações. No joelho, esse processo pode causar:
- Dor ao caminhar
- Rigidez ao acordar
- Inchaço
- Estalos
- Diminuição da mobilidade
- Sensação de instabilidade
Com o tempo, a articulação perde sua função normal, impactando diretamente a rotina do paciente.
Quando o tratamento tradicional não é suficiente
Na maioria dos casos, o tratamento inicial da artrose envolve medidas conservadoras, como:
- Uso de medicamentos para dor e inflamação
- Fisioterapia
- Fortalecimento muscular
- Controle do peso
- Mudança de hábitos
Quando essas estratégias deixam de funcionar, muitos pacientes passam a considerar procedimentos mais invasivos. É nesse momento que as novas terapias ganham destaque.
Radioterapia em baixa dose: como funciona?
A radioterapia em baixa dose, conhecida pela sigla LDRT (Low Dose Radiation Therapy), utiliza pequenas doses de radiação aplicadas diretamente na articulação afetada.
Diferente da radioterapia usada no tratamento do câncer, nesse caso as doses são muito menores e têm como objetivo reduzir a inflamação local.
Principais benefícios:
- Redução da dor
- Diminuição do processo inflamatório
- Melhora da função articular
- Procedimento indolor
- Não invasivo
O tratamento é feito em sessões curtas, geralmente ambulatoriais, sem necessidade de internação.
Embolização da artéria genicular: uma abordagem inovadora
A embolização das artérias geniculares é uma técnica minimamente invasiva que atua diretamente na circulação sanguínea da região do joelho.
Na artrose, ocorre um aumento anormal de vasos sanguíneos na articulação, associado ao processo inflamatório e à dor. A embolização tem como objetivo bloquear parte desses vasos, reduzindo a inflamação.
Como é realizada:
- Um cateter é inserido por um pequeno acesso na virilha ou no braço
- O médico navega até as artérias do joelho
- Pequenas partículas são liberadas para bloquear o fluxo excessivo
- O procedimento é guiado por imagem
Tudo é feito sem cortes grandes e com anestesia local.
Possíveis benefícios:
- Redução significativa da dor
- Melhora da mobilidade
- Recuperação rápida
- Menor tempo de afastamento das atividades
- Alternativa à cirurgia em casos selecionados
Quem pode se beneficiar dessas terapias?
Essas técnicas não são indicadas para todos os pacientes. Em geral, podem ser consideradas para pessoas que:
- Têm artrose moderada ou avançada
- Não obtiveram melhora com tratamentos convencionais
- Não desejam ou não podem se submeter à cirurgia
- Apresentam dor persistente
- Têm limitação funcional importante
A indicação deve sempre ser feita por um especialista, após avaliação detalhada.
Essas terapias substituem a cirurgia?
Não necessariamente.
Em alguns casos, elas podem adiar a necessidade cirúrgica por vários anos. Em outros, funcionam como complemento ao tratamento.
Cada situação é única. A decisão depende de fatores como idade, grau da artrose, nível de atividade, peso, histórico clínico e expectativas do paciente.
Por isso, a avaliação individual é fundamental.
Vantagens das terapias não invasivas
Entre os principais benefícios dessas abordagens estão:
- Menor risco de complicações
- Ausência de grandes incisões
- Recuperação mais rápida
- Menor impacto na rotina
- Possibilidade de retorno precoce às atividades
Esses fatores tornam as técnicas atrativas para muitos pacientes.
Limitações e cuidados
Apesar dos avanços, é importante destacar que:
- Nem todos respondem da mesma forma
- Os resultados podem variar
- Nem sempre a dor é eliminada totalmente
- Pode ser necessário repetir o procedimento
- O acompanhamento médico continua sendo essencial
Além disso, essas terapias ainda estão em fase de consolidação em muitos centros, sendo indicadas com cautela.
A importância do acompanhamento ortopédico
O sucesso do tratamento da artrose depende de uma abordagem completa, que inclui:
- Avaliação clínica
- Exames de imagem
- Orientação sobre exercícios
- Controle de peso
- Mudanças no estilo de vida
- Acompanhamento periódico
Nenhuma técnica funciona de forma isolada.
O papel do ortopedista é integrar todas essas estratégias para oferecer o melhor resultado possível.
As terapias não invasivas representam um avanço importante no tratamento da artrose do joelho. Técnicas como a radioterapia em baixa dose e a embolização das artérias geniculares ampliam as opções para pacientes que sofrem com dor crônica e limitação funcional.
Embora não substituam completamente a cirurgia, essas abordagens podem trazer alívio significativo e melhorar a qualidade de vida quando bem indicadas.
Em caso de dor persistente no joelho, o caminho mais seguro continua sendo a avaliação com um especialista.
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